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segunda-feira, 29 de julho de 2013

Gênesis 46-47


José pede para que seu pai Jacó tome um banho, por favor.


Há quem diga que a família tem que estar perto o suficiente pra não precisar vir de mala, mas longe o suficiente pra não vir de chinelo. O superintendente do Egito, José, agora franzia a testa pensando se foi uma boa idéia convidar o seu pai Jacó e o resto da família pra morar com ele. Entre filhos, noras, genros, gatos, cachorros, chinchilas e papagaios, eram mais de setenta pessoas. Haja puxadinho pra toda essa gente.

Durante a viagem, o Povo Escolhido resolveu fazer um pit-stop em Bersabéia, pra esticar as pernas, fazer xixi e comprar aquele doce de leite em cubinhos que parece que só tem em parada de estrada. O velho Jacó, depois de horas caminhando no deserto com o sol fritando-lhe a moranga, teve uma alucinação febril. Ou, como os cristãos gostam de dizer, Deus lhe apareceu. "Jacó! Jacó!", bradou Javé numa voz trovejante e com aqueles ecos vagabundos de karaokê. "Eu sou Deus, o Deus de teu pai. Não temas descer ao Egito, porque ali farei de ti uma grande nação. Descerei contigo ao Egito, e eu mesmo te farei de novo subir de lá. José fechar-te-á os olhos"
(Gênesis 46:2-4). O bom Deus vem prometendo esse papo de “grande nação” desde os tempos de Abraão. Até agora eu só vi merda, mas vamos lá.

No Egito, José os esperava na cidade Gessém. Quando viu o velho Jacó, se jogou nos braços dele e caiu no choro. "Agora posso morrer, porque vi o teu rosto, e vives ainda!" (Gênesis 46:30). Óun, mimimi. José disse que ia avisar ao Faraó da chegada de sua numerosa e incômoda família, e que era melhor que eles arreassem as malas aqui em Gessém mesmo, “porque os egípcios têm aversão aos pastores" (Gênesis 46:34) (Olha que coincidência, eu também tenho aversão à pastores. Chega a dar coceira). Se foi uma desculpa que José inventou pra manter a família a certa distância eu não sei, mas colou.

E tão logo o povo escolhido se assentou em Gessém, uma terrível falta de pão começou a assolar o Egito. Filas e quebra-quebra nos supermercados e padarias. Não tinha pão de forma, pão de cachorro-quente, bisnaguinha nem baguete. Só uma casa do Egito tinha uma fartura de pães, bolos e biscoitos: A casa do Faraó! Ah, filhadaputa. O superintendente José havia estocado trigo e agora era tanto pão que até sobrava pra fazer rabanada. O povo esfomeado, que não tinha dinheiro para comprar o trigo do Faraó, juntou-se na porta de José para mendigar. “Dá-nos pão. Por que morreremos na tua presença por falta de dinheiro?" (Gênesis 47:15). O escroto do José apareceu na sacada, degustando lentamente uma rosca glaceada ainda quentinha. Ele olhou o populacho faminto com desdém e gritou: “Vocês estão pensando que aqui é a fila da sopa pra mendigo, porra? Onde já se viu pão de graça? Heim, bando de vagabundo?”. Que pulha. "Trazei vossos animais,” continuou “se não tendes dinheiro, e dar-vos-ei pão em troca" (Gênesis 47:16).

E assim o fizeram. José se apropriou de mulas, camelos, cabras, cavalos e até um guaxinim. E em troca o povo ganhou pão velho, já com as bordinhas fungando. Mas, ao contrário de cabras, pão não tem filhote, e logo acabou. O povo, sem o mel nem a cabaça, foi mendigar novamente na porta de José que, dessa vez, apareceu acariciando uma linda ovelhinha no colo. “O que foi agora, bando de desdentado? Acabou pão? Nhá-há!”. Ao que o povo respondeu “Compra-nos a nós e a nossas terras em troca de pão, e nós e nossas terras seremos escravos do faraó. Dá-nos sementes, para que vivamos e não morramos, e não seja desolado o nosso solo" (Gênesis 47:19).

E assim José, o herói bíblico do momento, o escolhido por Javé, o exemplo a ser seguido, escravizou todo um povo quando ele estava mais vulnerável. Pudera os cristãos serem tão bons de negócio  hoje em dia. E caso você esteja se perguntando, José não escravizou sua própria família. Essa já estava por cima da carne seca em Gessém. A Glória!

Mas nem tudo eram flores e escravos na vida de José. Seu pai Jacó estava com cento e quarenta e sete anos (parece mentira, né?) e um pé na cova. O velho chamou seu filho para o leito de morte e disse: “Se achei graça diante de teus olhos, mete, rogo-te, tua mão debaixo de minha coxa e promete-me, com toda a bondade e fidelidade, que não me enterrarás no Egito” (Gênesis 47:29). De novo esse papo de meter a mão embaixo da coxa. Que fetiche bizarro. E o último desejo do velho era não ser enterrado nessa terra de gente estrangeira. Ica! José respondeu “claro, papai”, mas pensando “porra, não dava pra pedir algo mais fácil? Tipo tocar Michel Teló no funeral… ou enterrar ele com sua guitarra favorita… sei lá”.

E foi isso. Ao que tudo indicava, era o fim do velho Jacó. Tá triste?

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Gênesis 42-45


Os irmãos de José são pegos com o dedo no mel.

Queima na Glória, leitor!

José, que agora era administrador do Egito, estava por cima da carne seca. Vivia de banho tomado, cabelo engomado, rái-bã e palito na boca. Já nas terras adjacentes ao Egito, inclusive onde viviam seus irmãos que há muito passaram-lhe a perna, a crise se abatia e não tinha trigo nem pra fazer sopa. Mesmo assim, os irmãos de José só queriam saber de acordar meio-dia e jogar videogame até de madrugada. Nenhum filhodeputa levava nem o lixo pra fora. O velho Jacó, que não era lá muito famoso pela paciência, já estava ficando puto. “Por que estais olhando uns para os outros, porra? Eu soube que há trigo no Egito. Descei lá e comprai-o para nós; poderemos assim viver e escaparemos à morte" (Gênesis 42:1-2). O único que se safou da viagem foi Benjamim, segundo mais novo e inventor do multiplicador de tomadas, que ficou por ordem do próprio Jacó. Vai entender a cabeça desse velho idiota.

Quando chegaram frente a José para comprar víveres, sequer o reconheceram, de tanto tempo que havia se passado e por causa do bigode falso, comprado na 25, que ele estava usando. Mas José os reconheceu e, escroto que era, resolveu fazer uma pegadinha. Dizem que o diálogo foi mais ou menos assim:

- “O que querem agora esses punheteiros à minha frente? De onde caralho vieram?”, disse José.
- “Da terra de Canaã, para comprar víveres.
- “Paus em vossos cus. Vocês são espiões, maconheiros e pederastas.”
- “Não, meu senhor, teus servos vieram comprar víveres. Somos todos filhos dum mesmo pai, somos gente honesta; teus servos não são espiões.”
- (José com os olhos fechados e dedos nos ouvidos:) “Lálálálálálá! Eu não tô ouvindo nadaaaaa!”
- "Somos doze irmãos, filhos dum mesmo pai, na terra de Canaã. O mais novo está agora em casa de nosso pai, o outro já não existe." (Gênesis 42:7-13)
- “LÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁlálálálálálálálálálálálá!”
Aos irmãos de José só restou olharem uns para os outros, com cara de ponto de interrogação.
- “Ok, basta dessa putaria”, disse José finalmente, “já ouvi o suficiente. Janjão!!!”. Um agrandalhado guarda-costas em típicos trajes egípcios entrou na câmara. “Jogue esses mãos-peludas no xilindró! E não os dê o pote de vaselina. Eles merecem conhecer a verdadeira hospitalidade egípcia... MUUAAAHAHAHAHAHA!”.

Que pulha que esse José se tornou, né? Mas depois de três dias, muita penetração anal e nenhuma gota sequer de vaselina, José resolveu fazer um acordo com seus prisioneiros. “Um de vocês punheteiros deve ficar aqui como refém, enquanto os outros podem voltar para Canaã levando a merda do trigo que vocês tanto querem. Tragam esse irmão mais novo, Benjamim, para a minha presença para provar que falam a verdade, e paro de comer-lhes o cu”. E assim o fizeram, deixando Simeão como refém e noivinha do presídio. Mas os ardis de José ainda não haviam terminado. Antes de partirem, José colocou o dinheiro de cada um dos irmãos de volta nos seus respectivos sacos de trigo, de modo que os víveres saíram de graça. Pegou? Nem eu.

Quando chegaram de volta a Canaã, na casa de seu pai Jacó-barra-Israel, os irmãos de José abriram seus sacos de trigo, encontraram seu dinheiro nas bocas dos sacos e ficaram sem entender bosta. Contaram o que havia se passado para seu pai, dizendo que deixaram Simeão como cheque-caução e que tinham que levar Benjamim para o Egito. O velho Jacó ficou de mimimi: “José já não existe, Simeão tampouco, e quereis me tomar ainda Benjamim!” (Gênesis 42:36). Mas papo foi, papo veio e Jacó se convenceu, ainda ordenando que levassem bens para puxar o saco de José. “Se assim é, tomai em vossas bagagens os melhores produtos da terra, e levai-os como presente a esse homem: um pouco de bálsamo, um pouco de mel, resina, láudano, nozes de pistácia e amêndoas” (Gênesis 43:11). Quem não gosta de resina, né?

E assim os irmãos montaram em seus jumentos e rumaram de volta para o Egito. Quando José viu que seus irmãos cumpriram com o prometido, mandou preparar-lhes um almoço digno. “Faze entrar estes chupa-rolas na casa, mata uma vaca, um carneiro ou sei lá o caralho que a gente cria, e prepara-o, pois comerão comigo ao meio-dia”. Mas os irmãos ainda estavam com o cu na mão, temendo o que José iria fazer achando que eles haviam levado o dinheiro de volta. “Desculpa, meu senhor,” disseram eles, cagando-se todos, ao intendente de José, Janjão, “viemos já uma vez comprar víveres. Quando chegamos à estalagem e abrimos nossos sacos, o dinheiro de cada um se encontrava na boca de seu saco: era o peso exato do dinheiro. Tornamos a trazê-lo conosco; e trazemos, ao mesmo tempo, outro dinheiro para comprar víveres. Não sabemos quem tenha metido nosso dinheiro em nossos sacos". Ao que Janjão respondeu “ficai tranqüilos, nada temais, relaxa senão não encaixa. É o vosso Deus, o Deus de vossos pais, quem vos pôs um tesouro em vossos sacos; o vosso dinheiro me foi entregue” (Gênesis 43:20-23). Quer dizer então que esse tal de “vosso Deus” faz brotar dinheiro em saco, é? Só que não, porque quem colocou o dinheiro foi o escroto do José.

Durante o almoço, José perguntou para seus irmãos (que ainda não o reconheciam, lembrem-se) sobre seu pai. "Vosso velho pai, do qual me falastes, vai bem? Ou vive babando e se cagando?”. “Teu servo, nosso pai, está passando bem, e vive ainda” (Gênesis 43:28), responderam numa mesura. José se emocionou. Mas enfim, almoçaram, conversaram, riram e dizem até que rolou um carteado, uma mãozinha de buraco, se é que você me entende.

Pensa que acabou? Pensou errado, incauto leitor. José ainda tinha mais uma falcatrua reservada para seus irmãos e disse para seu fiel intendente: “Enche de trigo, pão dinheiro e o cacete a quatro os sacos destes homens, tanto quanto possam conter. Mas só pra foder com a cabeça deles mais uma vez, porás minha taça de prata na boca do saco do mais novo. Seguirás eles pelo deserto para pegá-los com a boca na butija! Uahá! Glu-glu! Pegadinha do José!” Mas que filho de uma puta esse José, heim? E assim foi feito. Quando Janjão enquadrou os irmãos, que não haviam roubado nada, eles tinham certeza que só podia ser um engano. “Pó-pará, seo intendente! Que aquele dos teus servos com quem for encontrada a taça morra, e, ao mesmo tempo, nós nos tornemos escravos do meu senhor" (Gênesis 44:9). Quando foram levados de volta (é... de novo...) para José, lá estava a taça de prata no saco do jovem Benjamim. Póta-quéu-paréu, pensaram os irmãos enquanto rasgavam as próprias vestes inconformados. O pulha do José não perdeu tempo para dar um esculacho. “Que bonito, heim, seu bando de filhos de putas! Que bonito! Vamos fazer assim: Benjamim, que foi encontrado com a taça e que tem a bundinha mais tenra [plim! piscadela!], será meu escravo. Vocês outros, voltem para suas casas e suas vidinhas ridículas na Terra de Canaã.” Mas Judá, um dos irmãos, sabia que, se o velho Jacó perdesse Benjamim, era piripaque na certa. “Rogo-te, pois,” implorou ele para José, “aceita que teu servo fique escravo de meu senhor em lugar do menino, para que este possa voltar com seus irmãos” (Gênesis 44:33).

Minha gente, que bololô, não é? Nem José podia mais levar adiante aquela farsa, aquele teatro, aquela pantomima macabra e doentia! “BASTA!!!”, gritou José arrancando seu bigode falso e caindo num choro descontrolado, “Baaaaasta desta putaria louca!!! Eu sou José! EU SOU JOSÉ, caralho!!!”. Os irmãos ficaram de queixo no chão. Não podiam acreditar no que estavam vendo. O irmão caçula que há anos atrás eles chuncharam dentro de um poço para dar um fim, era o administrador do Egito esse tempo todo. José finalmente havia tirado o peso da mentira das costas e agora estava mais calmo, disposto a perdoar. “Deus, o fodão dos fodões, enviou-me adiante de vós para que subsista um resto de vossa raça na terra, e para vos conservar a vida por uma grande libertação. Apressai-vos em voltar para junto de meu pai e trazei todo mundo para o Egito. Trazei suas esposas, filhos, netos, cachorro, papagaio e o cacete. Habitarás na terra de Gessém, bem perto de mim, e terão tudo de bom e do melhor do Egito: apartamento com varanda, churrasqueira, piscina e quadra poli-esportiva! Glória!!!”. E assim o fizeram. Voltaram para Canaã e contaram tudo para o velho Jacó que, tá justo, não podia acreditar. “José, meu filho, vive ainda. Irei e o verei antes de morrer" (Gênesis 45:28). E todos fizeram as malas para mudarem-se para o Egito e viver a vida boa.

Pois é, herege leitor. Era tudo um plano do Bom Javé® para manter a raça de Abraão viva durante os anos de penúria. Fodam-se todos os outros que não são do povo escolhido. Vimos que José, fazendo jus às outras figuras patriarcais do Cristianismo (e Judaísmo... e Islamismo), é um belo de um filho da puta e não vale seu peso em merda de camelo. Manipulou seus irmãos como marionetes. Foi um vai e vem do Egito, abre o saco, fecha o saco, prende, solta... e pra quê? Pra nada! Só pra torrar a minha e a sua paciência.

A história de José ainda não acabou. Porra. Mas falta pouco.

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Genesis 39


José encrencado no xilindró!

Erguei as mãos, infiéis! Erguei as mãos! Vocês lembram da história de José? Nem eu. Mas trocando em miúdos, José era o xodó do pai Israel e, por isso mesmo, o desafeto de todos o seus outros irmãos. Num belo de um balaio de gato, José acabou sendo comprado como escravo pelo eunuco Putifar, ex-ator pornô e atual chefe da guarda do Faraó Egípcio. E é assim que começa nosso capítulo, com Zezinho residindo e trabalhando na casa do patrão.

Mas José era um cara que tinha nascido com a bunda virada pra lua. “O Senhor estava com José, e tudo lhe prosperava” (Gênesis 39:2). E o Faraó percebeu que José era um cara ponta firme e confiou-lhe todos os seus bens e empreendimentos. E “o Senhor abençoou a casa do egípcio, por causa de José: a bênção do Senhor desceu sobre tudo o que lhe pertencia, na casa como nos campos” (Gênesis 39:5). Até o sinal do celular ficou mais forte e a internet parou de cair. Quando a benção do Senhor desce, desce com tudo!

A coisa ia muito bem até o surgimento de um fator complicante: A mulher do Faraó (não, a Bíblia não se dá ao trabalho de dar um nome à ela) resolveu que queria dar para José. Aí, meu caro, o caldo engrossou. Uma bela noite ela se aproximou de José vestindo uma toga pra lá de provocante e disse: “Dorme comigo.” (Gênesis 39:7). “Dorme comigo, seu pedaço de mau caminho!”. Mas nosso herói não queria furar o zóio de seu patrão e resistiu ao lânguido flerte da primeira-dama. “Como poderia eu cometer um tão grande crime e pecar contra Deus?” (Gênesis 39:9). E logo correu para o banheiro pra tomar aquela ducha gelada. Mas as investidas da mulher-do-Faraó continuaram diariamente e José se esquivava como podia. A mulher queria dar de qualquer jeito. Dava pra assar um espetinho de carne no calor que saía debaixo daquela toga! Misericórdia! Quando ela não se agüentava mais, agarrou José pelo manto e deu um ultimato: “Me possua, seu lindo!” Mas José era de ferro (ou a mulher era muito broaca mesmo) e saiu correndo, deixando-a com o manto na mão. E esse foi seu erro.

A mulher-do-Faraó, enfurecida por ter sido rejeitada como um tomate xoxo na feira, levou o manto para seu marido e disse: “O escravo hebreu que nos trouxeste, veio à minha procura para abusar de mim. Mas, pondo-me a gritar, deixou o seu manto ao meu lado e fugiu" (Gênesis 39:17-18). Filha da puta! Isso é calúnia! Tá lá no Código Penal, Artigo 138, confere? Mas o Faraó não quis saber. O seu escravo favorito, a quem lhe havia confiado até as cabras, meteu-lhe uma bola nas costas assim, sem dó? “Cadeia nele!”, bradou o Faraó, “Cadeia nele!”, e saiu batendo portas e chutando cadeiras. José foi enquadrado pela guarda faraônica, “teje preso!”, e imediatamente encaminhado para o presídio. Ô castigo, viu?

Mas como você bem sabe, amigo leitor, José era um dos predestinados, um dos sorteados na loteria cósmica do nosso Bom Javé. E onde ele ia, a benção divina ia atrás. Não demorou muito para que o carcereiro-chefe percebesse que Zé era o cara: gente fina, boa pinta e cheio de tereco-teco. Logo, José foi promovido de prisioneiro a ajudante de carcereiro, ficou responsável por todos os prisioneiros e nunca mais teve que abaixar para pegar o sabonete no banho coletivo. Ninguém soltava um pum que não tivesse o aval de José. Glória ao povo de Javé!

Que enrascadas será que aguardam nosso herói na sua nova vida no presídio?

sábado, 6 de agosto de 2011

Gênesis 38 - Parte II


"Judá indaga Tamar sobre o preço do boquete" - Escola de Rembrant, óleo sobre tela.

Tamar viu os anos passarem enquanto esperava que o terceiro irmão, Sela, crescesse um bigodinho e pudesse desposá-la. Mas parece que, enquanto Sela ficava mais alto, as tetas de Tamar ficavam mais baixas, porque o menino não quis saber de negócio e a viúva ficou esperando. Que bela bosta. Mas um belo dia, seu sogro Judá vinha subindo o morro em que morava Tamar, e ela resolveu dar o troco. Tirou o maldito traje de viúva e se vestiu de quenga. “Judá, vendo-a, julgou tratar-se de uma prostituta, porque tinha o rosto coberto” (Gênesis 38:15). O rosto coberto, a bota 7/8 de vinil e o bustiê de veludo zebrado. Bem observado, Judá!

Pois o velho Judá achou o produto interessante e perguntou:

- Quanto é o programa?
- Depende... - respondeu Tamar fazendo uma expressão libidinosa, mas que ninguém viu, dado que tinha o rosto coberto.
- Cabelo, barba e bigode.
- Ah, aí vai te custar um camelo e duas galinhas.
- Um camelo e duas galinhas?!? - espantou-se Judá - A senhora só pode estar brincando, né? Te dou um porco e uma galinha.
- Então boa tarde, senhor.
- Peraí, peraí, peraí... ok, um cabrito, dos bons. E é minha oferta final.
- ...
- Negócio fechado?
- Negócio fechado. Nota fiscal paulista?

E assim Judá, sem saber, passou a vara na mulher que foi sua nora duas vezes (pra você que achava que a Santa Bíblia já tinha esgotado seu repertório de sexo bizarro). Mas, como o pagamento, o cabrito, teria que ser trazido no dia seguinte, a cortesã queria uma garantia. “Que penhor queres que eu te dê?", perguntou Judá. "Teu anel, teu cordão e o bastão que tens na mão." (Gênesis 38:18), respondeu a disfarçada Tamar. Judá ainda estava com o bastão na mão e já estavam falando de negócios. Mas assim o fizeram.

No dia seguinte, Judá mandou um colega levar o cabrito e pegar o anel, o cordão e o bastão de volta. "Onde está aquela prostituta que estava em Enaim, à beira do caminho?", e os transeuntes fizeram cara de interrogação: “Não há prostituta nesse lugar!" (Gênesis 38:21). Pois é, não havia sinal da garota de programa. O que Tamar fez é o que na balada chamam de “dar um perdido”. A menina fala “vou lá no bar pegar uma Smirnoff e já volto, tá gatinho?” e puf!, some numa nuvem de glitter e perfume barato para todo o sempre. Enfim. O amigo de Judá trouxe o cabrito de volta e disse que não tinha prostituta nenhuma não sinhô. "Guarde ela o meu penhor, respondeu Judá, não nos tornemos ridículos!” (Gênesis 38:23). Judá resolveu varrer essa história pra debaixo do tapete. Mal sabia ele que tinha caído como um pato na armadilha de Tamar.

Três meses depois, o fofoqueiro da vila disse a Judá: “Tamar, tua nora, conduziu-se mal: vê-se que está grávida". Má-quê! "Tirai-a para fora, que ela seja queimada!" (Gênesis 38:24), bradou Judá. Tenha a santa paciência também. Tamar teve dois maridos pulverizados pelo Bom Senhor. Ela se manteve casta e fantasiada de viúva por anos, esperando um terceiro marido que nunca veio. E agora, porque engravidou, ela merece ser queimada? Mas Tamar ainda tinha uma carta, e era o zap! "Concebi do homem a quem pertence isto: examine bem, ajuntou ela, de quem são este anel, este cordão e este bastão". Truco, marreco! “Judá, reconhecendo-os, exclamou: ‘Ela é mais justa do que eu; pois que não a dei ao meu filho Sela.’ E não a conheceu (meteu) mais” (Gênesis 38:25-26). Convenhamos que Judá sabe reconhecer uma derrota.

Meses depois, Tamar sentiu as dores do parto e, obviamente, eram gêmeos. Quando a mãozinha do primeiro saiu, a parteira amarrou um fio vermelho no pulso, tamanha era a importância da primogenitura para esse povo primitivo. Mas, provavelmente incomodado pela parteira amarrando uma porcaria no pulso, o bebê embirocou de volta para Tamar. E nessa, o outro saiu, emputecendo a parteira. "Que brecha fizeste! exclamou a parteira: Que a brecha esteja sobre ti!" (Gênesis 38:29). Hã? Brecha? A brecha já estava feita e, eu suponho, doendo pra cacete! E não seria superestimar as intenções de um recém-nascido? Será que o bebê não está mais preocupado em inflar seus pulmões do que em quem vai herdar a bosta do rebanho de cabritos? Enfim. Este se chamou Farés e o irmão, com a pulseirinha vermelha, Zara.

E assim termina. Os mais devotos defendem que, mesmo nessas confusas porno-chanchadas bíblicas, há sempre uma lição. Não sei o que deveríamos tirar dessa história. Sempre andar com um cabrito para poder pagar uma eventual prostituta no ato? Não sei, mas os comentários estão abertos. E que a brecha esteja sobre todos vocês!

domingo, 3 de julho de 2011

Gênesis 38 - Parte I


De acordo com a Teoria da Evolução de Charles Darwin, a humanidade não chegou onde chegou batendo punheta.

o.na.nis.mo: sm (Onã, np+ismo) 1. Coito incompleto para evitar a fecundação. 2. Vício da masturbação. – Dicionário Michaelis


A história de Onã, em Gênesis 38, fomenta mais polêmica do que a discussão feijão em cima do arroz/arroz em cima do feijão. Estaria nela a palavra divina sobre a masturbação? O cinco-contra-um? A punheta e a siririca? Pois não tema, internauta solitário! Vamos aos fatos!

Judá escolheu para Her, seu primogênito, uma mulher chamada Tamar”. Assim, como quem dá um presente de formatura. “Her, porém, o primogênito de Judá, era mau aos olhos do Senhor, e o Senhor o feriu de morte” (Gênesis 38:6-7). Pois é. Deus é Amor, e Amor não gostou nada do comportamento de Her e zás!, Her caiu como jaca mole. Eu sei, eu também gostaria de mais detalhes. O que teria feito Her para emputecer tanto o Senhor Javé? Teria ele chutado muleta de aleijado? Cuspido em cabeça de careca? Deixado chokito boiando na piscina do clube para parecer cocô? Ou escrito um blog com profanações? Nunca saberemos. Também nunca saberemos como Ele o fez. Um tradicional raio na cabeça? Um piano de cauda caindo dos céus? Ou simplesmente o cólon de Her explodiu e ele morreu lentamente de infecção generalizada? A Bíblia lista o nome do papagaio do terceiro primo irmão de cada maldito descendente de Abraão, mas omite esses detalhes que todo mundo quer saber! Foda, viu! Mas tá, continuemos.

Onã era o irmão mais novo do falecido Her e seu pai Judá disse: “Vai, toma a mulher de teu irmão, cumpre teu dever de levirato e suscita uma posteridade a teu irmão" (Gênesis 38:8). Essa era a lei. Se o primogênito empacotasse, caberia ao irmão passar a vara na viúva e gerar um rebento para herdar os bens da família. Tamanha era a importância da primogenitura que, nem com a morte do irmão mais velho, o irmão mais novo tinha direito a alguma coisa. Sacanagem. E sabe quem também achou essa história um belo de um pau na bunda? Onã. E “maculava-se por terra cada vez que se unia à mulher do seu irmão, para não dar a ele posteridade” (Gênesis 38:9). Macular-se por terra aqui, meu amigo, é gozar fora. Parafraseando MC Copinho, na letra de sua canção “ Goza Fora ”, “E fica de quatro, de cabeça para baixo! Nós não goza dentro, nós goza na cara!”. Ah, poesia... enfim. “Seu comportamento desagradou ao Senhor, que o feriu de morte também” (Gênesis 38:10). Ka-pow! Mais um pro saco! Javé nem sequer dá uma advertência, um cartão amarelo. “Dá pra gozar dentro, faizfavô? Senão eu te mato, tá?”. Não, não. Desagradou Javé, é no cu mesmo que você toma. Novamente, as Santas Escrituras nos poupa dos detalhes. Podemos, como exercício mental, imaginar a cena:

Onã e Tamar fazem amor numa tenda.
Onã
: Lá vem...
Tamar: Tira, tira!
Tamar se vira para o outro lado para dar alguma privacidade para Onã terminar o serviço.
POW!!! Um terrível estrondo e um raio ilumina o interior da tenda. Cheiro de carne queimada no ar.
Tamar
: Querido... terminou? Foi bom? ...querido?

Mas chega de devaneios. Vamos à polêmica. De acordo com minha extensa revisão bibliográfica (leia-se: 2 minutos no Google), alguns padres e pastores usam esta passagem para ilustrar como Javé não gosta que você se masturbe. Pois é. Onã foi o Pai da Punheta, o primeiro a esfregar a lâmpada do gênio, e essa foi a sua ruína. Saiba que quando você está lá, na solidão do banheiro, digamos, “onando”, você não está de fato sozinho. Deus, aquele pervertido, está olhando você fazer justiça com as próprias mãos. E Ele ainda está considerando seriamente explodir o seu cólon. Que merda, né?

Mas há quem discorde. O que enfureceu Deus aqui, não foi a punheta per se, mas o coito interrompido, ou Coitus Interruptus, como diria Pôncio Pilatos muitos anos mais tarde. O que joga por terra (turum-tish!) todo o significado da palavra onanismo. Estariam os dicionários nos enganando todo esse tempo? O que os defensores desse ponto de vista não consideram, é que a punheta é parte integrante do coito interrompido. O cara tem que ser muito ninja pra tirar e sair mangueirando porra sem qualquer intervenção manual! Qualquer um que já praticou ou que já assistiu clássicos do pornô pode testemunhar a favor disso. Veja bem, caro leitor, eu também preferiria não entrar nesses pormenores. Mas a Bíblia não explica e eu truco que algum padre ou pastor aborde o assunto assim, sem anestesia. Eu me sinto com a responsabilidade de abrir as cartas na mesa. Mas vamos em frente.

Uma terceira corrente, ainda afirma que, o que Javé não engoliu (turum-tum-tish!), foi Onã tentando burlar a tal da lei do levirato. Se realmente isso procede, você pode curtir a sua Playboy Relíquia da Mara Maravilha sem se preocupar com o castigo divino. Mas como saber? Como, meldeos? As Sagradas Escrituras não ajudam nada para esclarecer a charada. E como o seguro morreu de velho e o desconfiado ainda vive, o melhor é evitar os três. Não pratique o cinco-contra-um, não pratique o Coitus Interruptus, e não tente dar o gato na lei do levirato. Muitos padres católicos, por exemplo, não arriscam bater uma punheta e aliviam os desejos carnais metendo em cu de coroinha. E, é claro, gozam dentro.

Mas e nossa história? Tamar já teve dois maridos pulverizados pelo Bom Senhor e o terceiro na fila, o caçula Sela, ainda era apenas uma criança, mais interessada em brincar de carrinho do que de carrinho-de-mão. "Conserva-te viúva em casa de teu pai até que meu filho Sela se torne adulto" (Gênesis 38:11), disse Judá. Quer saber o que Tamar acha disso tudo? Nem Judá. Mas a viúva tem uma carta na manga, e você não perde por esperar.

Desculpa pôr tudo.

domingo, 12 de junho de 2011

Gênesis 36-37


"Desce, filhadaputa!"


A Glória! A Glória, pois é com a graça de Javé que nossa história continua. Não são poucos os capítulos das Sagradas Escrituras Sagradas que são uma longa e entediante lista de descendentes de algum personagem notável. No trigésimo sexto capítulo de Gênesis, conhecemos as gerações de Esaú, irmão de Jacó, bruto, peludo, e que cozinha um guisado que só ele. Alguns nomes já são uma piada pronta, como Elifaz ou Amaleque. Outros são bons para quando você não sabe como batizar seu cágado de estimação, como Zibeão ou Husão. Mas a verdade é que esses capítulos servem para drenar a vontade de alguém ler a Bíblia de cabo a rabo. Melhor deixar pro pastor ou padre escolher e interpretar as partes importantes pra mim, não é? Nananina-não! Aqui não, Zibeão! Nós vamos até o fim!

Pois no capítulo seguinte conhecemos um importante personagem de nossa saga: José, filho favorito de Jacozito-Israel. “E Israel amava a José mais do que a todos os seus filhos, porque era filho da sua velhice (leia-se ‘filho da catuaba selvagem com amendoim); e fez-lhe uma túnica de várias cores” (Gênesis 37:3). Gente, que fashion! Israelito era um velho antenado nas últimas tendências, e sabia que túnica multi-color voltou COM TUDO nessa coleção Outono-Inverno! Que melhor presente para Zezinho? A-rra-sou! Mas esse xodó de Jacó com José servia também para irritar seus ciumentos irmãos. Entre eles, diziam “Lá vem o cocozinho do José e sua túnica multi-colorida... e eu aqui com essa túnica cor de brim cru... tão coleção-passada!”. E como se não bastasse, José contou-lhes dois sonhos nada modestos que teve: “estávamos ligando feixes no campo, e eis que o meu feixe se levantou e se pôs de pé, enquanto os vossos o cercavam e se prostravam diante dele" (Gênesis 37:7). O feixe de José subindo rijo e teso e os feixes de seus irmãos descendo. Fálico, né? E no outro sonho “o sol, a lua e onze estrelas prostravam-se diante de mim” (Gênesis 37:9). Mas é muita cara de pau! Fritas acompanha?

Pois num tórrido e escaldante dia no Oriente-Médio, os irmãos mal-amados de José estavam nas terras de Siquém fazendo o que todo bom nômade do deserto faz de melhor: arrebanhando cabras, bodes, carneiros e ovelhas. Já no meio do expediente, José resolve dar o ar da graça. “Eis o sonhador que chega. Vamos, matemo-lo e atiremo-lo numa cisterna; diremos depois que uma fera o devorou; e então veremos de que lhe aproveitaram os seus sonhos” (Gênesis 37:19-20), disseram os irmãos de Zé. É isso mesmo! Resolveram dar um fim no folgado, desovar o presunto num poço e ainda por a culpa numa besta errante! E eu desafio qualquer um a falar “matemo-lo”com a boca cheia de pão! Mas um dos irmãos, Rubem, era da turma do deixa disso. “Não lhe tiremos a vida, não derrameis sangue. Jogai-o naquela cisterna, no deserto, mas não levanteis vossa mão contra ele” (Gênesis 37: 21-22). E assim o fizeram. Deram-lhe um cascudo, “despojaram de sua túnica, daquela bela túnica de várias cores que trazia, e jogaram-no numa cisterna velha, que não tinha água” (Gênesis 37:23-24), só de samba-canção.

Mas o infortúnio de José estava só começando. Após terem arremessado o inconveniente cisterna abaixo, os irmãos sentaram para fazer uma farofada. Tiraram o franguinho frito do isopor, abriram uma cervejinha, Rubem bombou o pagodinho no seu celular que toca mp3 e skitum, skitum, skitum- “peraí Rúbi!”, interrompeu um dos irmãos, “Ô Rúbi! RÚBI, caráio! Desliga essa porra aí!”. Rubens cortou o som e “eis que, levantando os olhos, viram surgir no horizonte uma caravana de ismaelitas vinda de Galaad” (Gênesis 37:25). Ismaelitas, tradicionais comerciantes madianitas que varavam o deserto em seus camelos, oferecendo produtos a preços imbatíveis. Pois um dos irmãos, Judá, viu ali a chance de tirar um trocado: Por que não vender o enjoadinho do José como escravo para os Ismaelitas? “E, quando passaram os negociantes madianitas, tiraram José da cisterna e venderam-no por vinte moedas de prata aos Ismaelitas, que o levaram para o Egito” (Gênesis 37:28). Ca-tchin!

Os irmãos mataram um cabrito e usaram o sangue para empapar a bela túnica de José. E ainda deram um regaço, ralando no chão, cuspindo em cima e esfregando no racho da bunda para arrebentar o tecido. Que bando de arruaceiros! Quando levaram o trapo para o velho Jacó, ele despirocou de vez. “É a túnica de meu filho! Uma fera o devorou! José foi estraçalhado!" (Gênesis 37:33). Pobre Jacó! Estava certo de que seu favorito já tinha virado bosta uma hora dessas, “e, rasgando as vestes, cobriu-se de um saco, e chorou o seu filho por muito tempo” (Gênesis 37:34). Que figura mais ridícula, chorando enrolado num saco velho. Mas a verdade é que José não tinha virado bosta coisa alguma. “Os madianitas venderam-no a Putifar, no Egito, eunuco do faraó e chefe da guarda” (Gênesis 37:36). Sorte de José que esse tal de Putifar era eunuco porque, se bem me lembro, ele estava de samba-canção.

O que será de José, agora vendido como um escravo para o Faraó? A resposta você só encontra aqui, n’A Bíblia com Limão e Gelo! (Ou na bíblia de verdade também, claro.)

domingo, 27 de março de 2011

Gênesis 35


Ex-BBB Raquel ataca de DJ e causa polêmica.

O deus Javé, num incrível display de luzes, efeitos sonoros e muito gelo seco, apareceu para Jacozinho. "Vamos, sobe a Betel e fica ali, e levanta um altar nesse lugar ao Deus que se manifestou a ti, quando fugias diante de teu irmão Esaú." (Gênesis 35:1). Em outras palavras: “Olá. Eu sou fodão. Muito fodão. Construa um altar para enfatizar o quão fodão eu sou. Cada vez que alguém constrói um altar para mim, eu sinto como se estivessem massageando meus testículos. Obrigado”. Jacó sabia que o escrotinho do Javé era, alem de egocêntrico, ciumento. E anunciou para suas múltiplas esposas e seguidores: “Tirai do meio de vós os deuses estrangeiros, purificai-vos e mudai vossos vestidos” (Gênesis 35:2). É isso aí! Chega dessa semvergonhice de brinco, maquiagem, mini-saia, biquíni asa-delta-fio-dental, sutiã meia-taça e meia arrastão 7/8! Chega! Quem gosta dessa putaria são esses deuses estrangeiros! Pra Javé, mulher boa é mulher vestida numa toga de brim vagabundo, de boca fechada e parindo descendentes.

Enfim, trocando a enrolação por miúdos, Jacó e seu povo foram a Betel, de novo, e construíram um altar, de novo. E Deus apareceu numa alucinação de Jacó... de novo. “Teu nome, disse-lhe ele, é Jacó. Tu não te chamarás mais assim, mas Israel.” É, de novo. "Eu sou o Deus todo-poderoso. Sê fecundo e multiplica-te. De ti nascerão um povo e uma assembléia de povos (argh! Quem ainda agüenta essa conversa?); e de teus rins sairão reis” (Gênesis 35:10-11). Pra você que achava que não havia nada pior do que expelir pedras dos rins.

Falando em expelir, Raquel, como sempre, estava embuchada e a hora do parto chegara. Mas o nenêm era cabeçudo, estava numa posição de lótus diagonal carpada e o cordão umbilical amarrado com um nó de marinheiro de duplo travamento no pescoço. O parto não foi bolinho e Raquel sentiu que não ia escapar dessa. “E, estando prestes a render a alma - porque estava já agonizante - ela chamou o filho Benoni; o seu pai, porém, chamou-o Benjamim” (Gênesis 35:18). Porra Jacó! Por que você não vai tomar no seu cú? A mulher carregou o nenêm e vai morrer parindo, e você nem deixa ela escolher o nome?!? É o fim da picada! “Raquel expirou”, como um pudim que ficou muito tempo fora da geladeira, “e foi sepultada no caminho de Efrata, hoje Belém” (Gênesis 35:19).

Quem também empacotou foi o pai de Jacó/Israel, o patriarca Isaac. “E todos os dias da vida de Isaac foram cento e oitenta anos. E morreu. A morte reuniu-o aos seus, velho e saciado de dias. Esaú e Jacó, seus filhos, sepultaram-no” (Gênesis 35:28-29). Mimimi. Já foi tarde, velho escroto.

Esse inócuo e entediante capítulo não acrescenta muita coisa ao que já sabíamos. Javé gosta de ter seu glorioso saco puxado e, para essas tribos do deserto, uma mulher é uma máquina que você deposita esperma e sai um nenêm. O ciúme do Senhor, todo poderoso, é que levanta algumas suspeitas. Se os tais deuses estrangeiros não são os criadores do céu, da terra, da lua e do caralho a quatro, por que a insegurança? Hmmm, muy sospechoso. Mas não importa! A Bíblia com Limão e Gelo não só traz uma leitura acurada e imparcial das escrituras, mas também é um guia para a mulher e o homem contemporâneo. Um verdadeiro manual de referência rápida! Por isso, segue abaixo uma vasta (mas certamente incompleta) lista de “deuses estrangeiros” que o cristão moderno deve evitar. Se você é ateu, basta adicionar a divindade palestina Javé à lista.

A, Adad, Adapa, Adrammelech, Aeon, Agasaya, Aglibol, Ahriman, Ahura Mazda, Ahurani, Ai-ada, Al-Lat, Aja, Aka, Alalu, Al-Lat, Amm, Al-Uzza (El-'Ozza or Han-Uzzai), An, Anahita, Anath (Anat), Anatu, Anbay, Anshar, Anu, Anunitu, An-Zu, Apsu, Aqhat, Ararat, Arinna, Asherali, Ashnan, Ashtoreth, Ashur, Astarte, Atar, Athirat, Athtart, Attis, Aya, Baal (Bel), Baalat (Ba'Alat), Baau, Basamum, Beelsamin, Belit-Seri, Beruth, Borak, Broxa, Caelestis, Cassios, Chuck Norris, Lebanon, Antilebanon, Brathy, Chaos, Chemosh, Cotys, Cybele, Daena, Daevas, Dagon, Damkina, Dazimus, Derketo, Dhat-Badan, Dilmun, Dumuzi (Du'uzu), Duttur, Ea, El, Endukugga, Enki, Enlil, Ennugi, Eriskegal, Ereshkigal (Allatu), Eshara, Eshmun, Firanak, Fravashi, Gatamdug, Genea, Genos, Gestinanna, Gula, Hadad, Hannahanna, Hatti, Hea, Hiribi, The Houri, Humban, Innana, Ishkur, Ishtar, Ithm, Jamshid, Jamshy, Kabta, Kadi, Kamrusepas, Ki (Kiki), Kingu, Kolpia, Kothar-u-Khasis, Lahar, Marduk, Mari, Meni, Merodach, Misor, Moloch, Mot, Mushdama, Mylitta, Naamah, Nabu (Nebo), Nairyosangha, Nammu, Namtaru, Nanna, Nebo, Nergal, Nidaba, Ninhursag or Nintu, Ninlil, Ninsar, Nintur, Ninurta, Pa, Pikachú, Qadshu, Rapithwin, Resheph, Rimmon, Roger Federer, Sadarnuna, Shahar, Shalim, Shamish, Shapshu, Sheger, Sin, Siris (Sirah), Steven Seagal, Taautos, Tammuz, Tanit, Taru, Tasimmet, Telipinu, Tiamat, Tishtrya, Tsehub, Utnapishtim, Utu, Wurusemu, Yam, Yarih (Yarikh), Yima, Zaba, Zababa, Zam, Zanahary (Zanaharibe), Zarpandit, Zarathustra, Zatavu, Zazavavindrano, Ziusudra, Zu (Imdugud), Zurvan, Ba, Caishen, Chang Fei, Chang Hsien, Chang Pan, Ch'ang Tsai, Chao san-Niang, Chao T'eng-k'ang, Chen Kao, Ch'eng Huang, Cheng San-Kung, Cheng Yuan-ho, Chi Po, Chien-Ti, Chih Jih, Chih Nii, Chih Nu, Ch'ih Sung-tzu, Ching Ling Tzu, Ch'ing Lung, Chin-hua Niang-niang, Chio Yuan-Tzu, Chou Wang, Chu Niao, Chu Ying, Chuang-Mu, Chu-jung, Chun T'i, Ch'ung Ling-yu, Chung Liu, Chung-kuei, Chung-li Ch'an, Di Jun, Fan K'uei, Fei Lien, Feng Pho-Pho, Fengbo, Fu Hsing, Fu-Hsi, Fu-Pao, Gaomei, Guan Di, Hao Ch'iu, Heng-o, Ho Po (Ping-I), Hou Chi, Hou T'u, Hsi Ling-su, Hsi Shih, Hsi Wang Mu, Hsiao Wu, Hsieh T'ien-chun, Hsien Nung, Hsi-shen, Hsu Ch'ang, Hsuan Wen-hua, Huang Ti, Huang T'ing, Huo Pu, Hu-Shen, Jen An, Jizo Bosatsu, Keng Yen-cheng, King Wan, Ko Hsien-Weng, Kuan Ti, Kuan Ti, Kuei-ku Tzu, Kuo Tzu-i, Lai Cho, Lao Lang, Lei Kung, Lei Tsu, Li Lao-chun, Li Tien, Liu Meng, Liu Pei, Lo Shen, Lo Yu, Lo-Tsu Ta-Hsien, Lu Hsing, Lung Yen, Lu-pan, Ma-Ku, Mang Chin-i, Mang Shen, Mao Meng, Men Shen, Miao Hu, Mi-lo Fo, Ming Shang, Nan-chi Hsien-weng, Niu Wang, Nu Wa, Nu-kua, Pa, Pa Cha, Pai Chung, Pai Liu-Fang, Pai Yu, P'an Niang, P'an-Chin-Lien, Pao Yuan-ch'uan, Phan Ku, P'i Chia-Ma, Pien Ho, San Kuan, Sao-ch'ing Niang, Sarudahiko, Shang Chien, Shang Ti, She chi, Shen Hsui-Chih, Shen Nung, Sheng Mu, Shih Liang, Shiu Fang, Shou-lao, Shun I Fu-jen, Sien-Tsang, Ssu-ma Hsiang-ju, Sun Pin, Sun Ssu-miao, Sung-Chiang, Tan Chu, T'ang Ming Huang, Tao Kung, T'ien Fei, Tien Hou, Tien Mu, Ti-tsang, Tsai Shen, Ts'an Nu, Ts'ang Chien, Tsao Chun, Tsao-Wang, T'shai-Shen, Tung Chun, T'ung Chung-chung, T'ung Lai-yu, Tung Lu, T'ung Ming, Tzu-ku Shen, Wa, Wang Ta-hsien, Wang-Mu-Niang-Niang, Weiwobo, Wen-ch'ang, Wu-tai Yuan-shuai, Xi Hou, Xi Wangmu, Xiu Wenyin, Yanwang, Yaoji, Yen-lo, Yen-Lo-Wang, Yi, Yu, Yu Ch'iang, Yu Huang, Yun-T'ung, Yu-Tzu, Zaoshen, Zhang Xi, , Zhin, Zhongguei, , Zigu Shen, , Zisun, Ch'ang-O, Aba-khatun, Aigiarm, Ajysyt, Alkonost, Almoshi, Altan-Telgey, Ama, Anapel, As-ava, Ausaitis, Austeja, Ayt'ar, Baba Yaga (Jezi Baba), Belobog (Belun), Boldogasszony, Breksta, Bugady Musun, Chernobog (Crnobog, Czarnobog, Czerneboch, Cernobog), Cinei-new, Colleda (Koliada), Cuvto-ava, Dali, Darzu-mate, Dazhbog, Debena, Devana, Diiwica (Dilwica), Doda (Dodola), Dolya, Dragoni, Dugnai, Dunne Enin, Edji, Elena, Erce, Etugen, Falvara, Gabija, Ganiklis, Giltine, Hotogov Mailgan, Hov-ava, Iarila, Isten, Ja-neb'a, Jedza, Joda-mate, Kaldas, Kaltes, Keretkun, Khadau, Khursun (Khors), Kostrubonko, Kovas, Krumine, Kupala, Kupalo, Laima, Leshy, Marina, Marzana, Matergabiae, Mat Syra Zemlya, Medeine, Menu (Menulis), Mir-Susne-Khum, Myesyats, Nastasija, Nelaima, Norov, Numi-Tarem, Nyia, Ora, Ot, Patollo, Patrimpas, Pereplut, Perkuno, Perun, Pikuolis, Pilnytis, Piluitus, Potrimpo, Puskaitis, Rod, Rugevit, Rultennin, Rusalki, Sakhadai-Noin, Saule, Semargl, Stribog, Sudjaje, Svantovit (Svantevit, Svitovyd), Svarazic (Svarozic, Svarogich), Tengri, Tairgin, Triglav, Ulgen (Ulgan, lgn), Veles (Volos), Vesna, Xatel-Ekwa, Xoli-Kaltes, Yamm, Yarilo, Yarovit, Ynakhsyt, Zaria, Zeme mate, Zemyna, Ziva (Siva), Zizilia, Zonget, Zorya, Zvoruna, Zvezda Dennitsa, Zywie, Aditi, Adityas, Ambika, Ananta (Shesha), Annapurna (Annapatni), Aruna, Ashvins, Balarama, Bhairavi, Brahma, Buddha, Dakini, Devi, Dharma, Dhisana, Durga, Dyaus, Ganesa (Ganesha), Ganga (Ganges), Garuda, Gauri, Gopis, Hanuman, Hari-Hara, Hulka Devi, Jagganath, Jyeshtha, Kama, Karttikeya, Krishna, Krtya, Kubera, Kubjika, Lakshmi or Laksmi, Manasha, Manu, Maya, Meru, Nagas, Nandi, Naraka, Nataraja, Nirriti, Parjanya, Parvati, Paurnamasi, Prithivi, Purusha, Radha, Rati, Ratri, Rudra, Sanjna, Sati, Shashti, Shatala, Sitala (Satala), Skanda, Sunrta, Surya, Svasti-devi, Tvashtar, Uma, Urjani, Vach, Varuna, Vayu, Vishnu (Avatars of Vishnu: Matsya; Kurma; Varaha; Narasinha; Vamana; Parasurama; Rama; Krishna; Buddha; Kalki), Vishvakarman, Yama, Sraddha, Aji-Suki-Taka-Hi-Kone, Ama no Uzume, Ama-terasu, Amatsu Mikaboshi, Benten (Benzai-Ten), Bishamon, Chimata-No-Kami, Chup-Kamui, Daikoku, Ebisu, Emma-O, Fudo, Fuji, Fukurokuju, Gekka-O, Hachiman, Hettsui-No-Kami, Ho-Masubi, Hotei, Inari, Izanagi and Izanami, Jizo Bosatsu, Jurojin, Kagutsuchi, Kamado-No-Kami, Kami, Kawa-No-Kami, Kaya-Nu-Hima, Kishijoten, Kishi-Mojin, Kunitokotatchi, Marici, Monju-Bosatsu, Nai-No-Kami, No-Il Ja-Dae, O-Kuni-Nushi, Omoigane, Raiden, Shine-Tsu-Hiko, Shoten, Susa-no-wo, Tajika-no-mikoto, Tsuki-yomi, Uka no Mitanna, Uke-mochi, Uso-dori, Uzume, Wakahirume, Yainato-Hnneno-Mikoi, Yama-No-Kami, Yama-no-Karni, Yaya-Zakurai, Yuki-Onne, Agni, Ammavaru, Asuras, Banka-Mundi, Brihaspati, Budhi Pallien, Candi, Challalamma, Chinnintamma, Devas, Dyaush, Gauri-Sankar, Grhadevi, Gujeswari, Indra, Kali, Lohasur Devi, Mayavel, Mitra, Prajapati, Puchan, Purandhi, Rakshas, Rudrani, Rumina, Samundra, Sarasvati, Savitar, Siva (Shiva), Soma, Sura, Surabhi, Tulsi, Ushas, Vata, Visvamitra, Vivasvat, Vritra, Waghai Devi, Yaparamma, Yayu, Zumiang Nui, Diti, Dewi Shri, Po Yan Dari, Shuzanghu, Antaboga, Yakushi Nyorai, Mulhalmoni, Tankun, Yondung Halmoni, Aryong Jong, Quan Yin , Tengri, Uminai-gami, Kamado-No-Kami, Kunitokotatchi, Giri Devi, Dewi Nawang Sasih, Brag-srin-mo, Samanta-Bhadra, Sangs-rgyas-mkh, Sengdroma, Sgeg-mo-ma, Tho-og, Ui Tango, Yum-chen-mo, Zas-ster-ma-dmar-mo, Chandra, Dyaus, Ratri, Rodasi, Vayu, Au-Co, Abassi , Abuk , Adu Ogyinae , Ag, Agwe , Aida Wedo , Ajalamo, Aje, Ajok, Akonadi, Akongo, Akuj, Amma, Anansi, Asase Yaa, Ashiakle, Atai , Ayaba, Aziri, Baatsi, Bayanni, Bele Alua, Bomo rambi, Bosumabla, Buk, Buku, Bumba, Bunzi, Buruku, Cagn, Candit, Cghene, Coti, Damballah-Wedo, Dan, Deng, Domfe, Dongo, Edinkira, Egungun-oya, Eka Abassi, Mbombe, Emayian, Enekpe, En-Kai, Eseasar, Eshu, Esu, Fa, Faran, Faro, Fatouma, Fidi Mukullu, Fon, Gleti, Gonzuole, G, Gua, Gulu, Gunab, Hammadi, Hbiesso, Iku, Ilankaka, Imana, Iruwa, Isaywa, Juok, Kazooba, Khakaba, Khonvum, Kibuka, Kintu, Leb, Leza, Libanza, Lituolone, Loko, Marwe, Massim Biambe, Mawu-Lisa (Leza), Mboze, Mebeli, Minepa, Moombi, Mukameiguru, Mukasa, Muluku, Mulungu, Mwambu, Nai, Nambi, Nana Buluku, Nanan-Bouclou, Nenaunir, Ng Ai, Nyaliep, Nyamb, Nyankopon, Nyasaye, Nzame, Oboto, Obumo, Odudua-Orishala, Ogun, Olokun, Olorun, Orisha Nla, Orunmila, Osanyin, Oshe, Osun, Oya, Phebele, Pokot-Suk, Ralubumbha, Rugaba, Ruhanga, Ryangombe, Sagbata, Shagpona, Shango, Sopona, Tano, Thixo, Tilo, Tokoloshi, Tsui, Tsui'goab, Umvelinqangi, Unkulunkulu, Utixo, Wak, Wamara, Wantu Su, Wele, Were, Woto, Xevioso, Yangombi, Yemonja, Ymoa, Ymoja, Yoruba, Zambi, Zanahary , Zinkibaru, Alinga, Anjea, Apunga, Arahuta, Ariki, Arohirohi, Bamapana, Banaitja, Bara, Barraiya, Biame, Bila, Boaliri, Bobbi-bobbi, Bunbulama, Bunjil, Cunnembeille, Daramulum, Dilga, Djanggawul Sisters, Eingana, Erathipa, Gidja , Gnowee, Haumia, Hine Titama, Ingridi, Julana, Julunggul, Junkgowa, Karora, Kunapipi-Kalwadi-Kadjara, Lia, Madalait, Makara, Nabudi, Palpinkalare, Papa, Rangi, Rongo, Tane, Tangaroa, Tawhiri-ma-tea, Tomituka, Tu, Ungamilia, Walo, Waramurungundi, Wati Kutjarra, Wawalag Sisters, Wuluwaid, Wuragag, Wuriupranili, Wurrunna, Yhi, Aizen-Myoo, Ajima,Dai-itoku-Myoo, Fudo-Myoo, Gozanze-Myoo, Gundari-Myoo, Hariti, Kongo-Myoo, Kujaku-Myoo, Ni-O, Agaman Nibo , Agwe, Agweta, Ah Uaynih, Aida Wedo , Atabei , Ayida , Ayizan, Azacca, Baron Samedi, Ulrich, Ellegua, Ogun, Ochosi, Chango, Itaba, Amelia, Christalline, Clairm, Clairmezin, Coatrischie, Damballah , Emanjah, Erzuli, Erzulie, Ezili, Ghede, Guabancex, Guabonito, Guamaonocon, Imanje, Karous, Laloue-diji, Legba, Loa, Loco, Amelia , Mapiangueh, Marie-aime, Marinette, Mombu, Marassa, Nana Buruku, Oba, Obtala, Ochu, Ochumare, Oddudua, Ogoun, Olokum, Olosa, Oshun, Oya, Philomena, Itaba, Tsilah, Ursule, Vierge, Yemaya , Zaka, Abarta, Abna, Abnoba, Aine, Airetech,Akonadi, Amaethon, Ameathon, An Cailleach, Andraste, Antenociticus, Aranrhod, Arawn, Arianrod, Artio, Badb,Balor, Banbha, Becuma, Belatucadros, Belatu-Cadros, Belenus, Beli,Belimawr, Belinus, Bendigeidfran, Bile, Blathnat, Blodeuwedd, Boann, Bodus,Bormanus, Borvo, Bran, Branwen, Bres, Brigid, Brigit, Caridwen, Carpantus,Cathbadh, Cecht, Cernach, Cernunnos, Cliodna, Cocidius, Conchobar, Condatis, Cormac,Coronus,Cosunea, Coventina, Crarus,Creidhne, Creirwy, Cu Chulainn, Cu roi, Cuda, Cuill,Cyhiraeth,Dagda, Damona, Dana, Danu, D'Aulnoy,Dea Artio, Deirdre , Dewi, Dian, Diancecht, Dis Pater, Donn, 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domingo, 23 de janeiro de 2011

Gênesis 34



A Santíssima Sagrada Bíblia Sagrada Santíssima está repleta de lindas histórias, dignas de serem recitadas como contos de ninar ao leito de rebentos inquietos. Verdadeiras lições de vida. E assim, meu caro, é Gênesis 34. Me acompanhe.

Em nossa saga, a privilegiada família de Jacozito havia recém mudado de volta para a terra de Canaã. Diná, uma de suas filhas, saltitava inocentemente pela nova vizinhança quando foi avistada pelo príncipe Siquém (Si-quem?), filho do governante local e inventor da pomada para hemorróidas, rei Hemor. Siquém, playboy filhadaputa que era, ao avistar a tetéia da Diná, não teve dúvida: “raptou-a e dormiu com ela, violentando-a” (Gênesis 34:2). Seqüestro seguido de estupro, caro leitor. Mas o meliante tinha um lado fofinho. “Ele amou a jovem, e soube falar-lhe ao coração” (Gênesis 34:3). Chorei.

Siquém (Si-quando?) choramingou para seu papai que queria casar com Diná. Hemor, que não sabe dizer não para seu pequeno campeão, foi ter com Jacó. "Meu filho Siquém está enamorado de vossa filha; dai-a por mulher, eu vos peço” (Gênesis 34:8). O problema nisso tudo, é que os irmãos de Diná, Simeão e Levi, não estavam nada satisfeitos com essa avacalhação de seqüestro e estupro. Porra! Nem levou a menina pra um cineminha antes! "Dar nossa irmã a um incircunciso,” disseram os irmãos, “é uma coisa que não podemos fazer, porque isto seria desonroso para nós. Só acederemos ao vosso desejo à condição de que vos torneis como nós, e que todos vossos varões sejam circuncidados” (Gênesis 34:14-15). Calma que eu explico. Caso você não se lembre, o Senhor Javé resolveu que iria marcar o seu povo xodó pelo pinto. Dentre todas as marcas que poderiam ser, uma tattoo, um corte de cabelo moicano, um aperto de mão maneiro, Deus declarou que todos descendentes do povo escolhido deveriam ser circuncidados. Ele não gosta do bilau parecendo o pescoço de uma tartaruga. E para que Simeão e Levi aceitassem que sua irmã se misturasse com a gentalha de Hemor e Siquém, todos os homens do reino, não importando se varões, varinhas ou varetas, deveriam ser circuncidados. Mas o que Hemor não sabia, é que esse era a primeira etapa de um terrível plano de retaliação dos Irmãos Chapeleta. Tremei.

E assim foi feito. A primeira fez tchan, a segunda fez tchun e todos os homens do reino foram circuncidados. Era pele de pinto suficiente para matar a fome de um exército. Ica. E falando em exército, isso era uma coisa que o reino de Hemor não tinha. Todos os homens estavam de cama, com seus varões latejantes e doloridos, e essa era a deixa para início da segunda etapa do genial plano de Simeão e Levi. “Tomaram cada um sua espada, penetraram na cidade, que de nada desconfiava, e mataram todos os varões. Passaram ao fio de espada também Hemor e Siquém (Si-fudeu, né?), seu filho” (Gênesis 34:25-26). Foi faca na caveira. E de quebra “tomaram suas ovelhas, seus bois, seus jumentos e tudo o que havia na cidade como nos campos. E levaram como espólio todos os seus bens, seus filhos, suas mulheres e tudo o que se encontrava em suas casas” (Gênesis 34:28-29). Assassinaram, pilharam e levaram crianças e mulheres como escravos. Esse sim é o povo de Javé que eu conheço!

Agora, herege leitor, imagine que você é um humilde camponês no reino de Hemor. Você labuta como um condenado, sob o escaldante sol do deserto, para que você, sua esposa e seus filhos tenham o que comer. Um belo dia, seu rei decreta que todos os homens devem tirar a pele da chapeleta. Isso te parece mórbidamente estranho, mas você é um cara tranqüilo, que não quer confusão com as autoridades, e se submete à circuncisão. Procedimento, perceba, feito com todo o avanço médico que a Idade do Bronze oferece: Um gole de pinga como anestesia e um facão enferrujado como bisturi. Mas borá lá! Enquanto se recupera da mutilação, um estranho entra com o pé na porta da sua casa e você, incapacitado pelo inchaço peniano, é assassinado. De brinde, sua mulher e filhos são levados como escravos! Putaquetepariu! Não fazer parte do Povo Escolhido é uma merda, heim? Mas me perdoe, estou divagando.

O patriarca Jacó/Israel, que estava mais por fora que cotovelo de caminhoneiro, ficou puto quando soube do genocídio. “Só tenho comigo alguns homens e, quando toda essa gente se congregar contra mim para me ferir, perecerei com minha família" (Gênesis 34:30). Os Irmãos Chapeleta, para justificar as atrocidades, disseram: “Porventura, devíamos deixar tratar nossa irmã como uma prostituta?" (Gênesis 34:31). Poxa, eles tem razão, né? Não foi nada desproporcional essa retaliação. A mensagem é que você deve pensar duas vezes antes de tentar sacanear os descendentes de Abraão. Que linda historinha! O que ninguém lembrou foi de perguntar a Diná o que ela achava disso tudo.

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Gênesis 32-33


"Jacó recebe nu uma massagem com óleo-de-bebê"

Para quem não se lembra, o estelionatário do Jacó já passou a perna em seu irmão Esaú, o hirsuto, duas vezes num passado distante. Tamanha foi a rusga, que Esaú jurou nosso herói de morte. E agora que Jacozito estava voltando para sua terra natal, ele teria que encarar esse problema como um homem. Ou não.

Durante a viagem de volta, caminhando no escaldante deserto, mensageiros de Jacó vieram com as más notícias: “Fomos ter com Esaú: ele vem ao teu encontro com quatrocentos homens" (Gênesis 32:6). Quatrocentos homens. Talvez fosse uma boa hora para ter um pote de vaselina à mão. Não sei como Esaú se tornara tão poderoso e líder de um exército. Teria ele lançado uma bem sucedida linha de shampoos e condicionadores? Não importa. Jacó estava se cagando todo, suplicando ajuda para seu amiguinho Javé. “Salvai-me, eu vos peço, das mãos de meu irmão Esaú, pois temo que ele me venha atacar, sem poupar nem mãe nem filhos” (Gênesis 32:11). De forma astuta e covarde, nosso herói ficou acampado e mandou servos adiante com cabras, bodes, jumentos e iPods para presentear Esaú. “Eu o aplacarei com este presente que me precede; e depois o verei pessoalmente; talvez me fará ele bom acolhimento” (Gênesis 32:20). Ah safado!

A história tá legal, né? Pena que ela só vai continuar depois, porque agora a coisa descamba para mais uma das parábolas psico-absurdas da Bíblia. Entenda como quiser. Naquela mesma noite, Jacózito mandou suas quatro esposas e onze filhos seguirem viagem e ele ficou sozinho no acampamento. “Jacó ficou só; e alguém lutava com ele até o romper da aurora” (Gênesis 32:24). Pois é. Sem qualquer motivo aparente, alguém surgiu e saiu no mano a mano com Jacó. A capoeira durava até a madrugada quando este misterioso pit-boy usou um golpe sujo: tocou Jacó “na articulação da coxa e esta deslocou-se” (Gênesis 32:25). Aí, meu caro, foi nocaute. O misterioso homem estava dando área quando Jacó disse “Não te deixarei partir antes que me tenhas abençoado” (Gênesis 32:26). Quê? Jacó levou porrada e agora quer uma ‘bença’? "Qual é o teu nome?" perguntou o homem."Jacó." “Teu nome não será mais Jacó, tornou ele, mas Israel, porque lutaste com Deus e com os homens, e venceste” (Gênesis 32:27-28). Só pode estar de sacanagem! O misterioso arruaceiro era Javé em pessoa! E, me desculpe, “venceste” o caralho. Jacó levou um golpe ninja na articulação da coxa e agora mancava que só um jumento velho. Seja como for agora ele tinha um nome artístico: Israel. “É por isso que os israelitas, ainda hoje, não comem o nervo da articulação da coxa, porque aquele homem tinha tocado nesse nervo da articulação da coxa de Jacó” (Gênesis 32:32). Que motivo idiota, né? Há quem diga que isso foi um sonho que Jac... quero dizer, Israel teve. Pra mim foi sanduíche de presunto e maionese no deserto sem uma bolsa térmica adequada.

No dia seguinte, não tinha mais pra onde fugir. Esaú e seus 400 guerreiros se aproximavam de Jacozito/Israel que covardemente “prostrou-se até a terra sete vezes antes de se aproximar do seu irmão” (Gênesis 33:3). Agora que o cu dele tá na reta, ele respeita Esaú. “Mas Esaú correu-lhe ao encontro e beijou-o; ele atirou-se ao seu pescoço e beijou-o; e puseram-se a chorar” (Gênesis 33:4). Óóó que munhitinhu!!! Esaú deixou a rusga de lado e tascou melados beijos no irmão, e depois caíram no choro. Imagino que todos em volta, esposas, servos, soldados e camelos, se entreolharam com cara de “heim?”. Jacozito chegou são e salvo à sua terra natal, Padã-Arã e “levantou aí um altar, ao qual chamou El-Deus de Israel” (Gênesis 33:20), porque Javé gosta mesmo é de ter seu saco puxado com altares.

Eu particularmente achei um final decepcionante para o impasse entre o escrotinho do Jacó e Esaú, o bruto. Talvez seja sadismo de minha parte, mas eu queria ver o circo pegar fogo. Quem sabe em capítulos vindouros a coisa fica mais emocionante.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Gênesis 30 (parte 2) - 31


Labão, o arameu, e seus irmãos cruzam o deserto em busca de Jacó.

Jacozinho há muito vivia de parasita na casa do duplo-sogro e tio Labão. E como se não bastasse ter abocanhado duas filhas e duas escravas, resolveu que ia se apossar de uma parte do rebanho de ovelhas que ele ajudou a criar. Para isso, Jacó sugeriu que ele ficasse com os animais malhados e deixasse os brancos para Labão. "Está bem, seja como dizes" (Gênesis 30:34), disse tio Labs. O que ele não sabia era que seu genro/sobrinho queria lhe sacanear, passar a perna, apunhalar pela costas. 171 mesmo. Digno de um descendente direto de Abraão. Jacó, orientado pelos anjos de Javé, selecionou repetidamente cabras fortes e saudáveis para cruzar com fêmeas malhadas, e cabras raquíticas e mal nutridas para cruzar com fêmeas brancas. Dessa forma, ele deixou Labão com um rebanho de bosta.

O que é mais irônico é que, o que Jacó fez, se chama seleção artificial. Se ele tivesse pensado sobre o assunto mais um pouquinho, ele poderia ter formulado A Teoria da Evolução! Quantos problemas isso teria evitado! Hoje não teríamos psicóticos fundamentalistas falando de criacionismo e nem psicóticos fundamentalistas disfarçados de cientistas falando de design inteligente! E Darwin poderia ter dedicado sua vida exclusivamente para colecionar besouros, que é o que ele gostava. Droga.

Mas estou divagando. A verdade é que a situação na casa de Labão se tornara insuportável. Ele estava puto com Jacó por ter fodido com o rebanho dele. Suas filhas Raquel e Lia também estavam desgostosas com o pai. “Não nos tratou ele como estrangeiras, vendendo-nos e devorando o nosso dinheiro?” (Gênesis 31:15). (estrangeiras que Jacó aceitou de bom grado, aliás). Imaginem o silêncio constrangedor na mesa do jantar. Labão, Jacó, Raquel, Lia, Bala, Zelfa e 13 filhos. O som de talheres e mastigação interrompido por um ocasional, seco e sarcasticamente polido “passe o sal”. Que clima! De saco cheio, Jacó, suas mulheres e sua prole resolveram fugir na calada da noite, escondidos de Labão, rumo a Canaã. Raquel, na hora da fuga ainda surrupiou os terafim de seu pai (sim, eu também tive que procurar no Google o que são terafim. São, pasmem, bonequinhos de divindades. Algo tão ridículo quanto imagens de santos. Mas que também serviam de vale-herança naqueles tempos. Capisce?).

Três dias depois, soube Labão da fuga de Jacó” (Gênesis 31:22). O velho era astuto como uma raposa! Só três dias! Pois tio Labs e seus irmãos montaram em suas motocicletas e saíram em disparada pelo deserto, seguindo o rastro do traiçoeiro Jacó. “Deus, porém, apareceu num sonho noturno a Labão, o arameu, e disse-lhe: ’Guarda-te de dizer algo a Jacó’”(Gênesis 31:24). Em outras palavras, “mesmo ele tendo te sacaneado, deixa pra lá porque ele é meu queridinho”. Foda, viu?

Nas montanhas de Galaad, Labão alcançou o cabra-safado do Jacó. “Que fizeste? Tu me enganaste, e conduziste minhas filhas como prisioneiras de guerra! Por que fugiste dessa forma, e me lograste em lugar de me avisar? Eu te teria despedido com manifestações de júbilo e com cânticos, ao som do tamborim e da harpa” (Gênesis 31:26-27). O imbecil do Jacó perdeu uma festa com tamborim e harpa! Mas o que Labão estava puto mesmo era com o sumiço dos seus bonequinhos. “Por que roubaste os meus deuses?" (Gênesis 31:30). E, então, pôs-se a revistar as tendas do bando de Jacó. Chegou à tenda de Raquel que, num ato de desespero (e talvez de necessidade), sentou em cima dos roliços terafim. E ainda disse "Não se irrite o meu senhor, se não posso levantar-me em sua presença, pois acho-me agora com a indisposição que costuma vir às mulheres" (Gênesis 31:35). Não é um jeito ótimo de se dizer menstruação? A-indisposição-que-costuma-vir-às-mulheres. E nem ouse levantar-se na presença de seu pai, ok?

Mas, voltando à nossa história, Labão estava puto e, agora, Jacó também estava puto por estar sendo acusado de ladrão de bonequinhos. Como eles poderiam resolver esse impasse? Simples, meu ávido leitor: Eles ergueram um monumento de pedra em homenagem àquele que adora ser homenageado: Javé! E voilá, estava resolvido. Jacó “ofereceu um sacrifício sobre a montanha e convidou seus parentes para comer” (Gênesis 31:54). Uma pilha de pedras e um churrasco. Que jeito mais idiota de se acabar uma história que já estava ruim.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Gênesis 30 (parte 1)



Raquel, a esposa #1 de Jacó, estava puta da vida por ser estéril, enquanto Lia, esposa #2 e irmã mais velha, já tinha parido mais do que uma coelha. De mão na cintura e batendo o pézinho, bradou para Jacó: “Dá-me filhos, senão morro!” (Gênesis 30:1). Jacó, como um verdadeiro cavalheiro, respondeu: “Acaso posso eu pôr-me no lugar de Deus que te recusou a fecundidade?” (Gênesis 30:2). Jacó sabia que O Bom Senhor tinha murchado os ovários dela. Na Bíblia, mulher boa cala a boca e pare filhos, e #1 não estava fazendo nada disso. Mas ela mesma tinha a solução. “Eis minha serva Bala: toma-a. Que ela dê à luz sobre os meus joelhos e assim, por ela, terei também filhos.” (Gênesis 30:3). A escrava Bala, a doce, agora seria promovida a #3 para gerar rebentos. Soa familiar ? Eu só não consigo visualizar como #3 dará à luz sobre os joelhos de #1 e como isso vai fazer com que o filho seja de #1. Pra mim, só vai dificultar o serviço do obstetra. Mas enfim, foi com esse esquema pornô-escravagista que nasceram Dã (dizem que ele aprendeu a falar o próprio nome com apenas 2 semanas de vida!) e Neftali.

Enquanto isso, observando tudo de cima, O Bom Senhor estava entediado. E, da mesma forma que uma criança mimada cutuca seus hamsters, Javé desativou os ovários de Lia, a #2. Ela já sabia o protocolo e, sem pestanejar, entregou sua escrava Zelfa para Jacó bimbar. Essa é a #4, caso você também esteja contando. E assim nasceram Gad e Aser. Javé bocejou de novo e shazam!, reativou a oogênese de #2, que pariu Issacar, Dina e, a cereja no bolo de nomes horríveis, Zabulon.

Acha que acabou? “Lembrou-se Deus de Raquel, ouviu-a e tornou-a fecunda.” (Gênesis 30:17). Mas como assim “lembrou-se”? O fidiputa não é onisciente? E todo o sofrimento de #1 foi porque Javé tinha esquecido dela? Ele perdeu a ficha dela na bagunça da escrivaninha? Sério, pelas barbas de Abraão, viu! Enfim, finalmente fecunda, #1 embuchou e pariu. E como não tinha tanto apreço por nomes estrambólicos, chamou seu rebento de José.

Trocando em miúdos, foram quatro parideiras, um exército de filhos e o Bom Senhor embaralhando as cartas ligando e desligando ovários. Como se já não estivesse claro o suficiente, essa parábola reforça o papel da mulher na Santíssima Bíblia Sagrada: uma parideira cujo valor é medido por quantos filhos ela consegue gerar. Some isso as já familiares poligamia e escravidão e você tem um livro que não só é confuso e repetitivo, mas que insiste em dar os mesmos maus exemplos. Eu não sei você, mas eu estou com dor de cabeça de acompanhar essa história. Por isso dividirei esse capítulo em dois, visto que a segunda parte tem pouca conexão com as peripécias poligâmicas de Jacózinho. Glória!

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Gênesis 29


"Europeus branquinhos que não tem nada a ver com nossa fábula do Oriente Médio" - William Dyce, óleo sobre tela.

Erguei as mãos e dai glória a Deus! Se você chegou agora à Bíblia Cítrica, não tema infiel! Tamanha é a minha misericórdia, que recapitularei o que você precisa saber para pegar o camelo andando. Jacó é o herói do momento. Descendente de Abraão e figurão do povo escolhido pelo Senhor, ele saiu numa jornada pelo deserto, rumo à casa de seu tio Labão. Lá, ele pretende escolher uma prima para desposar, no intuito de não se misturar e afinar o sangue com a gentalha que não foi escolhida por Javé. Gentalha, gentalha, gentalha. Tá comigo? Então vamos em frente.

Nos arredores de Harã, cidade onde vivia o tio Labs, havia um poço para ovelhas beberem água. E, tampando esse poço, uma puta de uma pedra pesada pra caralho. Quantos pastores já não rasgaram um pum ao tentar erguê-la sob o sol escaldante de meu Deus! "Conheceis porventura Labão, filho de Nacor?" (Gênesis 29:5), disse o forasteiro Jacó, tentando puxar um papo com os locais. “Sim”, respondeu um pastor sorrindo com seus quatro valiosos dentes, “e eis justamente sua filha Raquel que vem com o rebanho.” (Gênesis 29:6). Putaqueopariu! Que sorte! Jacó viu a oportunidade perfeita para impressionar sua prima: Erguer a tampa do poço com seus braços fortes, viris e abençoados por Javé! Entretanto, por algum motivo, a coisa descamba. Veja. “Logo que Jacó viu Raquel, filha de Labão, irmão de sua mãe, aproximou-se, rolou a pedra de cima da boca do poço e deu de beber às ovelhas de Labão”. Boa Jacózinho! Tá indo bem! “Depois beijou Raquel e pôs-se a chorar.” (Gênesis 29:10-11). Má-como?!? Que porra é essa de lascar um beijo assim sem pedir licença? E depois cai no choro? Comestes cocô, Jacó? Talvez, mas funcionou.

Depois desse papelão, Raquel levou Jacó para sua casa eles contaram tudo para o tio Labão. "Sim, tu és de meus ossos e de minha carne.” (Genesis 29:14), disse o velho numa brilhante constatação. De olho na prata da casa, Jacózinho foi ficando de hóspede e ajudando na labuta diária. Passado um mês, tio Labs, temendo ser pego por leis trabalhistas, disse: "Acaso, porque és meu parente, servir-me-ás (percebam o certeiro uso da mesóclise) de graça? Dize-me que salário queres." (Gênesis 29:15). Jacó não queria salário, vale refeição nem o dinheiro do busão. Jacó queria Raquel! “Eu te servirei sete anos por Raquel tua filha mais nova." (Gênesis 29:18). Labão refletiu por um minuto, coçando sua enorme laba, e topou o negócio. “Assim, Jacó serviu por Raquel sete anos, que lhe pareceram dias, tão grande era o amor que lhe tinha.” (Genesis 29:20). Lindo, né? Mas o romantismo acaba por aí. A pornochanchada bíblica que tanto gostamos começa agora.

Após sete anos na punheta, finalmente chegou o grande dia em que Jacó iria se casar com Raquel, e titio Labão convidou a cidade inteira para um grande banquete, com três ambientes (eletrônica, pop-rock e flashback), sushi bar e manobrista. Mas Labão tinha um plano secreto para pôr em prática: Acabado o bacubufo do caterefofo, ele iria conduzir sua filha Raquel à suíte de Jacó mas, ao invés disso, conduziu a irmã mais velha de Raquel, Lia! E, talvez por uma soma do quarto escuro com o porre da festa, Jacó traçou Lia! Carái véi! Pela manhã, Jacó acordou de ressaca e percebeu que havia acertado a bola na caçapa errada. "Que me fizeste? Não foi por Raquel que te servi? Por que me enganaste?", bradou para Labão, que respondeu: “Aqui não é costume casar a mais nova antes da mais velha. Acaba a semana com esta, e depois te darei também sua irmã, na condição que me sirvas ainda sete anos." (Gênesis 29:25-27). Jacó topou na hora. E de quebra, Labão ainda deu uma escrava chamada Zelfa como brinde por ele ter traçado Lia. Como aquelas promoções que, comprando um xampú, vem um condicionador de graça. E uma semana depois, Jacó finalmente desposou sua amada Raquel e, como a promoção ainda estava valendo, levou a escrava Bala de brinde (dizem que ela era um doce!).

E adivinha quem entra em cena para cagar em cima do que já estava fedendo? Ele! Javé! Não sei você, mas eu estava com saudades dos caprichos do Senhor. Ele viu que Jacó gostava mesmo de Raquel e só usava Lia como uma boneca inflável, e não gostou nada disso. Então ele estendeu sua poderosa mão em direção a Lia e shazam! “tornou-a fecunda enquanto Raquel permanecia estéril” (Gênesis 29:31). O Senhor, em sua glória e onipotência, gosta de intervir na vida mundana ligando e desligando os ovários das mulheres. É difícil de levar a sério um personagem desses. Jacó, apesar de amar mesmo Raquel, não acanhou-se de passar repetidamente a vara em Lia, que pariu os rebentos Rubem, Simeão, Levi (o inventor da calça jeans) e Judá.

O capítulo acaba aqui, mas o show de horrores na família poligâmica de Jacó não. Você não perde por esperar!

terça-feira, 20 de julho de 2010

Gênesis 28


"Quadro de motel" de William Blake. Óleo sobre tela.

Alguns capítulos da santíssima Bíblia Sagrada são longos e não signficam nada. Outros são curtos e significam menos ainda, e assim é Gênesis 28. Olha como já começa. “Isaac chamou Jacó e o abençoou” (Gênesis 28:1). Sério, já queimaram na largada dessa vez. Isaac esqueceu de tudo que aconteceu no capítulo passado?!? Toda aquela novela mexicana de quarenta e seis versículos, dois pratos de filé mignon e um homem vestido de cabrito, pra conseguir uma benção. E agora, simples assim, ele chama Jacó e o abençoa?!? Só pode estar de sacanagem. Mas vamos em frente. Isaac ordena: “Não desposarás uma filha de Canaã”, porque o povo escolhido não pode se misturar com a gentalha que Deus não escolheu. “Mas vai a Padã-Arã, à casa de Batuel, pai de tua mãe, e escolhe lá uma mulher entre as filhas de Labão, irmão de tua mãe. Deus todo-poderoso te abençoe, te faça crescer e multiplicar, de sorte que te tornes uma multidão de povos” (Gênesis 28:1-3). Ou seja, Jacó, se case com uma prima e se reproduza como um fungo que vai dar tudo certo. Esaú, o irmão peludinho de Jacó, querendo agradar seu pai “foi à casa de Ismael e tomou por mulher, além daquelas que já tinha, a Maelet, filha de Ismael, filho de Abraão, irmã de Nabaiot.” (Gênesis 28:9). Por que não adicionar uma prima a sua coleção de mulheres?

Agora, herege leitor, vem o filé deste capítulo. Tremei. Jacó partiu rumo a Padã-Arã e, após caminhar um dia inteiro com o Sol fritando-lhe os cornos, resolveu parar no meio do deserto para passar a noite. “Serviu-se como travesseiro de uma das pedras que ali se encontravam, e dormiu naquele mesmo lugar.” (Gênesis 28:11). Jacó já sabia o conforto que um bom travesseiro ortopédico proporciona. Tanto conforto que ele sonhou com “uma escada, que, apoiando-se na terra, tocava com o cimo o céu; e anjos de Deus subiam e desciam pela escada.” (Gênesis 28:12). E quem estava no topo desta escada? Quem? Quem? Ele! O bom Senhor! E ele, em sua voz trovejante e reverberante, falou a Jacózinho e prometeu toda aquela baboseira de multiplicar a posteridade como os grãos de areia. É só isso que esse imbecil sabe prometer. Se ele tivesse prometido camisinhas, talvez hoje estivéssemos melhor.

Enfim, “Jacó, despertando de seu sono, exclamou: ‘Em verdade, o Senhor está neste lugar, e eu não o sabia!’ E, cheio de pavor, ajuntou: ‘Quão terrível é este lugar! É nada menos que a casa de Deus; é aqui, a porta do céu.’” (Gênesis 28:16-17). Cheio de pavor! Terrível! Que impressão amigável que o Bom Senhor passa, não? Mas calma, Jacó! Será que não foi só um sonho? Se eu tivesse passado o dia no deserto e depois usasse uma pedra como travesseiro, eu também teria sonhos parecidos (mais provavelmente um elevador para as profundezas do inferno do que uma escada para o céu, mas enfim). Mas não, Jacó estava convencido de que aquele fora um genuíno vídeo educacional do Senhor. Ali era de fato a porta do céu (só pra mim que isso soa ridículo?). Tanto que ele fez um monumento de seu rijo travesseiro de pedra. “Tomou Jacó a pedra sobre a qual repousara a cabeça e a erigiu em estela, derramando óleo sobre ela.” (Gênesis 28:18). Eu, particularmente, não consigo derramar óleo sobre alguma coisa e não pensar em sacanagem. Mas esse sou eu, pervertido.

Jacó então bradou: "Se Deus for comigo, se ele me guardar durante esta viagem que empreendi, e me der pão para comer e roupa para vestir, e me fizer voltar em paz casa paterna, então o Senhor será o meu Deus. Esta pedra da qual fiz uma estela será uma casa de Deus, e pagarei o dízimo de tudo o que me derdes." (Gênesis 28:20-22). Aaahhh, agora tudo faz sentido! O dízimo! Javé vai te dar pão, roupa, uma viagem tranqüila e mais descendentes do que grãos de areia, e tudo que ele quer é seu dinheiro! Ora, mas esse é um negócio da china!

Será coincidência que, o capítulo que coloca Deus como ‘terrível’ e digno de ‘pavor’, é também o que sugere que você dê a Ele 10% de suas finanças? Ah, e caso você não encontre Javé pessoalmente, pode entregar o cheque para o padre/pastor que ele entrega depois.