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sábado, 6 de agosto de 2011

Gênesis 38 - Parte II


"Judá indaga Tamar sobre o preço do boquete" - Escola de Rembrant, óleo sobre tela.

Tamar viu os anos passarem enquanto esperava que o terceiro irmão, Sela, crescesse um bigodinho e pudesse desposá-la. Mas parece que, enquanto Sela ficava mais alto, as tetas de Tamar ficavam mais baixas, porque o menino não quis saber de negócio e a viúva ficou esperando. Que bela bosta. Mas um belo dia, seu sogro Judá vinha subindo o morro em que morava Tamar, e ela resolveu dar o troco. Tirou o maldito traje de viúva e se vestiu de quenga. “Judá, vendo-a, julgou tratar-se de uma prostituta, porque tinha o rosto coberto” (Gênesis 38:15). O rosto coberto, a bota 7/8 de vinil e o bustiê de veludo zebrado. Bem observado, Judá!

Pois o velho Judá achou o produto interessante e perguntou:

- Quanto é o programa?
- Depende... - respondeu Tamar fazendo uma expressão libidinosa, mas que ninguém viu, dado que tinha o rosto coberto.
- Cabelo, barba e bigode.
- Ah, aí vai te custar um camelo e duas galinhas.
- Um camelo e duas galinhas?!? - espantou-se Judá - A senhora só pode estar brincando, né? Te dou um porco e uma galinha.
- Então boa tarde, senhor.
- Peraí, peraí, peraí... ok, um cabrito, dos bons. E é minha oferta final.
- ...
- Negócio fechado?
- Negócio fechado. Nota fiscal paulista?

E assim Judá, sem saber, passou a vara na mulher que foi sua nora duas vezes (pra você que achava que a Santa Bíblia já tinha esgotado seu repertório de sexo bizarro). Mas, como o pagamento, o cabrito, teria que ser trazido no dia seguinte, a cortesã queria uma garantia. “Que penhor queres que eu te dê?", perguntou Judá. "Teu anel, teu cordão e o bastão que tens na mão." (Gênesis 38:18), respondeu a disfarçada Tamar. Judá ainda estava com o bastão na mão e já estavam falando de negócios. Mas assim o fizeram.

No dia seguinte, Judá mandou um colega levar o cabrito e pegar o anel, o cordão e o bastão de volta. "Onde está aquela prostituta que estava em Enaim, à beira do caminho?", e os transeuntes fizeram cara de interrogação: “Não há prostituta nesse lugar!" (Gênesis 38:21). Pois é, não havia sinal da garota de programa. O que Tamar fez é o que na balada chamam de “dar um perdido”. A menina fala “vou lá no bar pegar uma Smirnoff e já volto, tá gatinho?” e puf!, some numa nuvem de glitter e perfume barato para todo o sempre. Enfim. O amigo de Judá trouxe o cabrito de volta e disse que não tinha prostituta nenhuma não sinhô. "Guarde ela o meu penhor, respondeu Judá, não nos tornemos ridículos!” (Gênesis 38:23). Judá resolveu varrer essa história pra debaixo do tapete. Mal sabia ele que tinha caído como um pato na armadilha de Tamar.

Três meses depois, o fofoqueiro da vila disse a Judá: “Tamar, tua nora, conduziu-se mal: vê-se que está grávida". Má-quê! "Tirai-a para fora, que ela seja queimada!" (Gênesis 38:24), bradou Judá. Tenha a santa paciência também. Tamar teve dois maridos pulverizados pelo Bom Senhor. Ela se manteve casta e fantasiada de viúva por anos, esperando um terceiro marido que nunca veio. E agora, porque engravidou, ela merece ser queimada? Mas Tamar ainda tinha uma carta, e era o zap! "Concebi do homem a quem pertence isto: examine bem, ajuntou ela, de quem são este anel, este cordão e este bastão". Truco, marreco! “Judá, reconhecendo-os, exclamou: ‘Ela é mais justa do que eu; pois que não a dei ao meu filho Sela.’ E não a conheceu (meteu) mais” (Gênesis 38:25-26). Convenhamos que Judá sabe reconhecer uma derrota.

Meses depois, Tamar sentiu as dores do parto e, obviamente, eram gêmeos. Quando a mãozinha do primeiro saiu, a parteira amarrou um fio vermelho no pulso, tamanha era a importância da primogenitura para esse povo primitivo. Mas, provavelmente incomodado pela parteira amarrando uma porcaria no pulso, o bebê embirocou de volta para Tamar. E nessa, o outro saiu, emputecendo a parteira. "Que brecha fizeste! exclamou a parteira: Que a brecha esteja sobre ti!" (Gênesis 38:29). Hã? Brecha? A brecha já estava feita e, eu suponho, doendo pra cacete! E não seria superestimar as intenções de um recém-nascido? Será que o bebê não está mais preocupado em inflar seus pulmões do que em quem vai herdar a bosta do rebanho de cabritos? Enfim. Este se chamou Farés e o irmão, com a pulseirinha vermelha, Zara.

E assim termina. Os mais devotos defendem que, mesmo nessas confusas porno-chanchadas bíblicas, há sempre uma lição. Não sei o que deveríamos tirar dessa história. Sempre andar com um cabrito para poder pagar uma eventual prostituta no ato? Não sei, mas os comentários estão abertos. E que a brecha esteja sobre todos vocês!

domingo, 3 de julho de 2011

Gênesis 38 - Parte I


De acordo com a Teoria da Evolução de Charles Darwin, a humanidade não chegou onde chegou batendo punheta.

o.na.nis.mo: sm (Onã, np+ismo) 1. Coito incompleto para evitar a fecundação. 2. Vício da masturbação. – Dicionário Michaelis


A história de Onã, em Gênesis 38, fomenta mais polêmica do que a discussão feijão em cima do arroz/arroz em cima do feijão. Estaria nela a palavra divina sobre a masturbação? O cinco-contra-um? A punheta e a siririca? Pois não tema, internauta solitário! Vamos aos fatos!

Judá escolheu para Her, seu primogênito, uma mulher chamada Tamar”. Assim, como quem dá um presente de formatura. “Her, porém, o primogênito de Judá, era mau aos olhos do Senhor, e o Senhor o feriu de morte” (Gênesis 38:6-7). Pois é. Deus é Amor, e Amor não gostou nada do comportamento de Her e zás!, Her caiu como jaca mole. Eu sei, eu também gostaria de mais detalhes. O que teria feito Her para emputecer tanto o Senhor Javé? Teria ele chutado muleta de aleijado? Cuspido em cabeça de careca? Deixado chokito boiando na piscina do clube para parecer cocô? Ou escrito um blog com profanações? Nunca saberemos. Também nunca saberemos como Ele o fez. Um tradicional raio na cabeça? Um piano de cauda caindo dos céus? Ou simplesmente o cólon de Her explodiu e ele morreu lentamente de infecção generalizada? A Bíblia lista o nome do papagaio do terceiro primo irmão de cada maldito descendente de Abraão, mas omite esses detalhes que todo mundo quer saber! Foda, viu! Mas tá, continuemos.

Onã era o irmão mais novo do falecido Her e seu pai Judá disse: “Vai, toma a mulher de teu irmão, cumpre teu dever de levirato e suscita uma posteridade a teu irmão" (Gênesis 38:8). Essa era a lei. Se o primogênito empacotasse, caberia ao irmão passar a vara na viúva e gerar um rebento para herdar os bens da família. Tamanha era a importância da primogenitura que, nem com a morte do irmão mais velho, o irmão mais novo tinha direito a alguma coisa. Sacanagem. E sabe quem também achou essa história um belo de um pau na bunda? Onã. E “maculava-se por terra cada vez que se unia à mulher do seu irmão, para não dar a ele posteridade” (Gênesis 38:9). Macular-se por terra aqui, meu amigo, é gozar fora. Parafraseando MC Copinho, na letra de sua canção “ Goza Fora ”, “E fica de quatro, de cabeça para baixo! Nós não goza dentro, nós goza na cara!”. Ah, poesia... enfim. “Seu comportamento desagradou ao Senhor, que o feriu de morte também” (Gênesis 38:10). Ka-pow! Mais um pro saco! Javé nem sequer dá uma advertência, um cartão amarelo. “Dá pra gozar dentro, faizfavô? Senão eu te mato, tá?”. Não, não. Desagradou Javé, é no cu mesmo que você toma. Novamente, as Santas Escrituras nos poupa dos detalhes. Podemos, como exercício mental, imaginar a cena:

Onã e Tamar fazem amor numa tenda.
Onã
: Lá vem...
Tamar: Tira, tira!
Tamar se vira para o outro lado para dar alguma privacidade para Onã terminar o serviço.
POW!!! Um terrível estrondo e um raio ilumina o interior da tenda. Cheiro de carne queimada no ar.
Tamar
: Querido... terminou? Foi bom? ...querido?

Mas chega de devaneios. Vamos à polêmica. De acordo com minha extensa revisão bibliográfica (leia-se: 2 minutos no Google), alguns padres e pastores usam esta passagem para ilustrar como Javé não gosta que você se masturbe. Pois é. Onã foi o Pai da Punheta, o primeiro a esfregar a lâmpada do gênio, e essa foi a sua ruína. Saiba que quando você está lá, na solidão do banheiro, digamos, “onando”, você não está de fato sozinho. Deus, aquele pervertido, está olhando você fazer justiça com as próprias mãos. E Ele ainda está considerando seriamente explodir o seu cólon. Que merda, né?

Mas há quem discorde. O que enfureceu Deus aqui, não foi a punheta per se, mas o coito interrompido, ou Coitus Interruptus, como diria Pôncio Pilatos muitos anos mais tarde. O que joga por terra (turum-tish!) todo o significado da palavra onanismo. Estariam os dicionários nos enganando todo esse tempo? O que os defensores desse ponto de vista não consideram, é que a punheta é parte integrante do coito interrompido. O cara tem que ser muito ninja pra tirar e sair mangueirando porra sem qualquer intervenção manual! Qualquer um que já praticou ou que já assistiu clássicos do pornô pode testemunhar a favor disso. Veja bem, caro leitor, eu também preferiria não entrar nesses pormenores. Mas a Bíblia não explica e eu truco que algum padre ou pastor aborde o assunto assim, sem anestesia. Eu me sinto com a responsabilidade de abrir as cartas na mesa. Mas vamos em frente.

Uma terceira corrente, ainda afirma que, o que Javé não engoliu (turum-tum-tish!), foi Onã tentando burlar a tal da lei do levirato. Se realmente isso procede, você pode curtir a sua Playboy Relíquia da Mara Maravilha sem se preocupar com o castigo divino. Mas como saber? Como, meldeos? As Sagradas Escrituras não ajudam nada para esclarecer a charada. E como o seguro morreu de velho e o desconfiado ainda vive, o melhor é evitar os três. Não pratique o cinco-contra-um, não pratique o Coitus Interruptus, e não tente dar o gato na lei do levirato. Muitos padres católicos, por exemplo, não arriscam bater uma punheta e aliviam os desejos carnais metendo em cu de coroinha. E, é claro, gozam dentro.

Mas e nossa história? Tamar já teve dois maridos pulverizados pelo Bom Senhor e o terceiro na fila, o caçula Sela, ainda era apenas uma criança, mais interessada em brincar de carrinho do que de carrinho-de-mão. "Conserva-te viúva em casa de teu pai até que meu filho Sela se torne adulto" (Gênesis 38:11), disse Judá. Quer saber o que Tamar acha disso tudo? Nem Judá. Mas a viúva tem uma carta na manga, e você não perde por esperar.

Desculpa pôr tudo.

domingo, 27 de março de 2011

Gênesis 35


Ex-BBB Raquel ataca de DJ e causa polêmica.

O deus Javé, num incrível display de luzes, efeitos sonoros e muito gelo seco, apareceu para Jacozinho. "Vamos, sobe a Betel e fica ali, e levanta um altar nesse lugar ao Deus que se manifestou a ti, quando fugias diante de teu irmão Esaú." (Gênesis 35:1). Em outras palavras: “Olá. Eu sou fodão. Muito fodão. Construa um altar para enfatizar o quão fodão eu sou. Cada vez que alguém constrói um altar para mim, eu sinto como se estivessem massageando meus testículos. Obrigado”. Jacó sabia que o escrotinho do Javé era, alem de egocêntrico, ciumento. E anunciou para suas múltiplas esposas e seguidores: “Tirai do meio de vós os deuses estrangeiros, purificai-vos e mudai vossos vestidos” (Gênesis 35:2). É isso aí! Chega dessa semvergonhice de brinco, maquiagem, mini-saia, biquíni asa-delta-fio-dental, sutiã meia-taça e meia arrastão 7/8! Chega! Quem gosta dessa putaria são esses deuses estrangeiros! Pra Javé, mulher boa é mulher vestida numa toga de brim vagabundo, de boca fechada e parindo descendentes.

Enfim, trocando a enrolação por miúdos, Jacó e seu povo foram a Betel, de novo, e construíram um altar, de novo. E Deus apareceu numa alucinação de Jacó... de novo. “Teu nome, disse-lhe ele, é Jacó. Tu não te chamarás mais assim, mas Israel.” É, de novo. "Eu sou o Deus todo-poderoso. Sê fecundo e multiplica-te. De ti nascerão um povo e uma assembléia de povos (argh! Quem ainda agüenta essa conversa?); e de teus rins sairão reis” (Gênesis 35:10-11). Pra você que achava que não havia nada pior do que expelir pedras dos rins.

Falando em expelir, Raquel, como sempre, estava embuchada e a hora do parto chegara. Mas o nenêm era cabeçudo, estava numa posição de lótus diagonal carpada e o cordão umbilical amarrado com um nó de marinheiro de duplo travamento no pescoço. O parto não foi bolinho e Raquel sentiu que não ia escapar dessa. “E, estando prestes a render a alma - porque estava já agonizante - ela chamou o filho Benoni; o seu pai, porém, chamou-o Benjamim” (Gênesis 35:18). Porra Jacó! Por que você não vai tomar no seu cú? A mulher carregou o nenêm e vai morrer parindo, e você nem deixa ela escolher o nome?!? É o fim da picada! “Raquel expirou”, como um pudim que ficou muito tempo fora da geladeira, “e foi sepultada no caminho de Efrata, hoje Belém” (Gênesis 35:19).

Quem também empacotou foi o pai de Jacó/Israel, o patriarca Isaac. “E todos os dias da vida de Isaac foram cento e oitenta anos. E morreu. A morte reuniu-o aos seus, velho e saciado de dias. Esaú e Jacó, seus filhos, sepultaram-no” (Gênesis 35:28-29). Mimimi. Já foi tarde, velho escroto.

Esse inócuo e entediante capítulo não acrescenta muita coisa ao que já sabíamos. Javé gosta de ter seu glorioso saco puxado e, para essas tribos do deserto, uma mulher é uma máquina que você deposita esperma e sai um nenêm. O ciúme do Senhor, todo poderoso, é que levanta algumas suspeitas. Se os tais deuses estrangeiros não são os criadores do céu, da terra, da lua e do caralho a quatro, por que a insegurança? Hmmm, muy sospechoso. Mas não importa! A Bíblia com Limão e Gelo não só traz uma leitura acurada e imparcial das escrituras, mas também é um guia para a mulher e o homem contemporâneo. Um verdadeiro manual de referência rápida! Por isso, segue abaixo uma vasta (mas certamente incompleta) lista de “deuses estrangeiros” que o cristão moderno deve evitar. Se você é ateu, basta adicionar a divindade palestina Javé à lista.

A, Adad, Adapa, Adrammelech, Aeon, Agasaya, Aglibol, Ahriman, Ahura Mazda, Ahurani, Ai-ada, Al-Lat, Aja, Aka, Alalu, Al-Lat, Amm, Al-Uzza (El-'Ozza or Han-Uzzai), An, Anahita, Anath (Anat), Anatu, Anbay, Anshar, Anu, Anunitu, An-Zu, Apsu, Aqhat, Ararat, Arinna, Asherali, Ashnan, Ashtoreth, Ashur, Astarte, Atar, Athirat, Athtart, Attis, Aya, Baal (Bel), Baalat (Ba'Alat), Baau, Basamum, Beelsamin, Belit-Seri, Beruth, Borak, Broxa, Caelestis, Cassios, Chuck Norris, Lebanon, Antilebanon, Brathy, Chaos, Chemosh, Cotys, Cybele, Daena, Daevas, Dagon, Damkina, Dazimus, Derketo, Dhat-Badan, Dilmun, Dumuzi (Du'uzu), Duttur, Ea, El, Endukugga, Enki, Enlil, Ennugi, Eriskegal, Ereshkigal (Allatu), Eshara, Eshmun, Firanak, Fravashi, Gatamdug, Genea, Genos, Gestinanna, Gula, Hadad, Hannahanna, Hatti, Hea, Hiribi, The Houri, Humban, Innana, Ishkur, Ishtar, Ithm, Jamshid, Jamshy, Kabta, Kadi, Kamrusepas, Ki (Kiki), Kingu, Kolpia, Kothar-u-Khasis, Lahar, Marduk, Mari, Meni, Merodach, Misor, Moloch, Mot, Mushdama, Mylitta, Naamah, Nabu (Nebo), Nairyosangha, Nammu, Namtaru, Nanna, Nebo, Nergal, Nidaba, Ninhursag or Nintu, Ninlil, Ninsar, Nintur, Ninurta, Pa, Pikachú, Qadshu, Rapithwin, Resheph, Rimmon, Roger Federer, Sadarnuna, Shahar, Shalim, Shamish, Shapshu, Sheger, Sin, Siris (Sirah), Steven Seagal, Taautos, Tammuz, Tanit, Taru, Tasimmet, Telipinu, Tiamat, Tishtrya, Tsehub, Utnapishtim, Utu, Wurusemu, Yam, Yarih (Yarikh), Yima, Zaba, Zababa, Zam, Zanahary (Zanaharibe), Zarpandit, Zarathustra, Zatavu, Zazavavindrano, Ziusudra, Zu (Imdugud), Zurvan, Ba, Caishen, Chang Fei, Chang Hsien, Chang Pan, Ch'ang Tsai, Chao san-Niang, Chao T'eng-k'ang, Chen Kao, Ch'eng Huang, Cheng San-Kung, Cheng Yuan-ho, Chi Po, Chien-Ti, Chih Jih, Chih Nii, Chih Nu, Ch'ih Sung-tzu, Ching Ling Tzu, Ch'ing Lung, Chin-hua Niang-niang, Chio Yuan-Tzu, Chou Wang, Chu Niao, Chu Ying, Chuang-Mu, Chu-jung, Chun T'i, Ch'ung Ling-yu, Chung Liu, Chung-kuei, Chung-li Ch'an, Di Jun, Fan K'uei, Fei Lien, Feng Pho-Pho, Fengbo, Fu Hsing, Fu-Hsi, Fu-Pao, Gaomei, Guan Di, Hao Ch'iu, Heng-o, Ho Po (Ping-I), Hou Chi, Hou T'u, Hsi Ling-su, Hsi Shih, Hsi Wang Mu, Hsiao Wu, Hsieh T'ien-chun, Hsien Nung, Hsi-shen, Hsu Ch'ang, Hsuan Wen-hua, Huang Ti, Huang T'ing, Huo Pu, Hu-Shen, Jen An, Jizo Bosatsu, Keng Yen-cheng, King Wan, Ko Hsien-Weng, Kuan Ti, Kuan Ti, Kuei-ku Tzu, Kuo Tzu-i, Lai Cho, Lao Lang, Lei Kung, Lei Tsu, Li Lao-chun, Li Tien, Liu Meng, Liu Pei, Lo Shen, Lo Yu, Lo-Tsu Ta-Hsien, Lu Hsing, Lung Yen, Lu-pan, Ma-Ku, Mang Chin-i, Mang Shen, Mao Meng, Men Shen, Miao Hu, Mi-lo Fo, Ming Shang, Nan-chi Hsien-weng, Niu Wang, Nu Wa, Nu-kua, Pa, Pa Cha, Pai Chung, Pai Liu-Fang, Pai Yu, P'an Niang, P'an-Chin-Lien, Pao Yuan-ch'uan, Phan Ku, P'i Chia-Ma, Pien Ho, San Kuan, Sao-ch'ing Niang, Sarudahiko, Shang Chien, Shang Ti, She chi, Shen Hsui-Chih, Shen Nung, Sheng Mu, Shih Liang, Shiu Fang, Shou-lao, Shun I Fu-jen, Sien-Tsang, Ssu-ma Hsiang-ju, Sun Pin, Sun Ssu-miao, Sung-Chiang, Tan Chu, T'ang Ming Huang, Tao Kung, T'ien Fei, Tien Hou, Tien Mu, Ti-tsang, Tsai Shen, Ts'an Nu, Ts'ang Chien, Tsao Chun, Tsao-Wang, T'shai-Shen, Tung Chun, T'ung Chung-chung, T'ung Lai-yu, Tung Lu, T'ung Ming, Tzu-ku Shen, Wa, Wang Ta-hsien, Wang-Mu-Niang-Niang, Weiwobo, Wen-ch'ang, Wu-tai Yuan-shuai, Xi Hou, Xi Wangmu, Xiu Wenyin, Yanwang, Yaoji, Yen-lo, Yen-Lo-Wang, Yi, Yu, Yu Ch'iang, Yu Huang, Yun-T'ung, Yu-Tzu, Zaoshen, Zhang Xi, , Zhin, Zhongguei, , Zigu Shen, , Zisun, Ch'ang-O, Aba-khatun, Aigiarm, Ajysyt, Alkonost, Almoshi, Altan-Telgey, Ama, Anapel, As-ava, Ausaitis, Austeja, Ayt'ar, Baba Yaga (Jezi Baba), Belobog (Belun), Boldogasszony, Breksta, Bugady Musun, Chernobog (Crnobog, Czarnobog, Czerneboch, Cernobog), Cinei-new, Colleda (Koliada), Cuvto-ava, Dali, Darzu-mate, Dazhbog, Debena, Devana, Diiwica (Dilwica), Doda (Dodola), Dolya, Dragoni, Dugnai, Dunne Enin, Edji, Elena, Erce, Etugen, Falvara, Gabija, Ganiklis, Giltine, Hotogov Mailgan, Hov-ava, Iarila, Isten, Ja-neb'a, Jedza, Joda-mate, Kaldas, Kaltes, Keretkun, Khadau, Khursun (Khors), Kostrubonko, Kovas, Krumine, Kupala, Kupalo, Laima, Leshy, Marina, Marzana, Matergabiae, Mat Syra Zemlya, Medeine, Menu (Menulis), Mir-Susne-Khum, Myesyats, Nastasija, Nelaima, Norov, Numi-Tarem, Nyia, Ora, Ot, Patollo, Patrimpas, Pereplut, Perkuno, Perun, Pikuolis, Pilnytis, Piluitus, Potrimpo, Puskaitis, Rod, Rugevit, Rultennin, Rusalki, Sakhadai-Noin, Saule, Semargl, Stribog, Sudjaje, Svantovit (Svantevit, Svitovyd), Svarazic (Svarozic, Svarogich), Tengri, Tairgin, Triglav, Ulgen (Ulgan, lgn), Veles (Volos), Vesna, Xatel-Ekwa, Xoli-Kaltes, Yamm, Yarilo, Yarovit, Ynakhsyt, Zaria, Zeme mate, Zemyna, Ziva (Siva), Zizilia, Zonget, Zorya, Zvoruna, Zvezda Dennitsa, Zywie, Aditi, Adityas, Ambika, Ananta (Shesha), Annapurna (Annapatni), Aruna, Ashvins, Balarama, Bhairavi, Brahma, Buddha, Dakini, Devi, Dharma, Dhisana, Durga, Dyaus, Ganesa (Ganesha), Ganga (Ganges), Garuda, Gauri, Gopis, Hanuman, Hari-Hara, Hulka Devi, Jagganath, Jyeshtha, Kama, Karttikeya, Krishna, Krtya, Kubera, Kubjika, Lakshmi or Laksmi, Manasha, Manu, Maya, Meru, Nagas, Nandi, Naraka, Nataraja, Nirriti, Parjanya, Parvati, Paurnamasi, Prithivi, Purusha, Radha, Rati, Ratri, Rudra, Sanjna, Sati, Shashti, Shatala, Sitala (Satala), Skanda, Sunrta, Surya, Svasti-devi, Tvashtar, Uma, Urjani, Vach, Varuna, Vayu, Vishnu (Avatars of Vishnu: Matsya; Kurma; Varaha; Narasinha; Vamana; Parasurama; Rama; Krishna; Buddha; Kalki), Vishvakarman, Yama, Sraddha, Aji-Suki-Taka-Hi-Kone, Ama no Uzume, Ama-terasu, Amatsu Mikaboshi, Benten (Benzai-Ten), Bishamon, Chimata-No-Kami, Chup-Kamui, Daikoku, Ebisu, Emma-O, Fudo, Fuji, Fukurokuju, Gekka-O, Hachiman, Hettsui-No-Kami, Ho-Masubi, Hotei, Inari, Izanagi and Izanami, Jizo Bosatsu, Jurojin, Kagutsuchi, Kamado-No-Kami, Kami, Kawa-No-Kami, Kaya-Nu-Hima, Kishijoten, Kishi-Mojin, Kunitokotatchi, Marici, Monju-Bosatsu, Nai-No-Kami, No-Il Ja-Dae, O-Kuni-Nushi, Omoigane, Raiden, Shine-Tsu-Hiko, Shoten, Susa-no-wo, Tajika-no-mikoto, 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Coyolxauhqui, Coyopa, Coiote, Cum hau, Cunawabi , Dagwanoenyent , Dahdahwat , Daldal , Deohako, Dhol , Diyin dine , Djien , Djigonasee , Dohkwibuhch , Dzalarhons , Dzalarhons, Eagentci , Shaman , Eeyeekalduk , Ehecatl, Ehlaumel , Eithinoha , Ekchuah, Enumclaw , Eototo, Esaugetuh Emissee , Esceheman, Eschetewuarha, Estanatlehi , Estasanatlehi , Estsanatlehi, Evaki, Ewah , Ewauna, Famine , Fastachee , Ga'an, Ga-gaah , Gahe, Galokwudzuwis , Gaoh, Gawaunduk, Geezhigo-Quae, Gendenwitha, Genetaska, Ghanan, Gitche Manitou, Glispa, Glooskap , Gluscabi , Gluskab , Gluskap, Godasiyo, Gohone , Great Seahouse, Greenmantle , Gucumatz, Gukumatz, Gunnodoyak, Gyhldeptis, Ha Wen Neyu , Hacauitz , Hacha'kyum, Hagondes , Hahgwehdiyu , Hamatsa , Hamedicu, Hanghepi Wi, Hantceiitehi , Haokah , Hastseoltoi, Hastshehogan , He'mask.as , Hen, Heyoka , Hiawatha , Hino, Hisakitaimisi, Hokhokw , Hotoru, Huehuecoyotl, Huehueteotl, Huitaca , Huitzilopochtli, Huixtocihuatl, Hummingbird, Hun hunahpu, Hun Pic Tok, 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domingo, 23 de janeiro de 2011

Gênesis 34



A Santíssima Sagrada Bíblia Sagrada Santíssima está repleta de lindas histórias, dignas de serem recitadas como contos de ninar ao leito de rebentos inquietos. Verdadeiras lições de vida. E assim, meu caro, é Gênesis 34. Me acompanhe.

Em nossa saga, a privilegiada família de Jacozito havia recém mudado de volta para a terra de Canaã. Diná, uma de suas filhas, saltitava inocentemente pela nova vizinhança quando foi avistada pelo príncipe Siquém (Si-quem?), filho do governante local e inventor da pomada para hemorróidas, rei Hemor. Siquém, playboy filhadaputa que era, ao avistar a tetéia da Diná, não teve dúvida: “raptou-a e dormiu com ela, violentando-a” (Gênesis 34:2). Seqüestro seguido de estupro, caro leitor. Mas o meliante tinha um lado fofinho. “Ele amou a jovem, e soube falar-lhe ao coração” (Gênesis 34:3). Chorei.

Siquém (Si-quando?) choramingou para seu papai que queria casar com Diná. Hemor, que não sabe dizer não para seu pequeno campeão, foi ter com Jacó. "Meu filho Siquém está enamorado de vossa filha; dai-a por mulher, eu vos peço” (Gênesis 34:8). O problema nisso tudo, é que os irmãos de Diná, Simeão e Levi, não estavam nada satisfeitos com essa avacalhação de seqüestro e estupro. Porra! Nem levou a menina pra um cineminha antes! "Dar nossa irmã a um incircunciso,” disseram os irmãos, “é uma coisa que não podemos fazer, porque isto seria desonroso para nós. Só acederemos ao vosso desejo à condição de que vos torneis como nós, e que todos vossos varões sejam circuncidados” (Gênesis 34:14-15). Calma que eu explico. Caso você não se lembre, o Senhor Javé resolveu que iria marcar o seu povo xodó pelo pinto. Dentre todas as marcas que poderiam ser, uma tattoo, um corte de cabelo moicano, um aperto de mão maneiro, Deus declarou que todos descendentes do povo escolhido deveriam ser circuncidados. Ele não gosta do bilau parecendo o pescoço de uma tartaruga. E para que Simeão e Levi aceitassem que sua irmã se misturasse com a gentalha de Hemor e Siquém, todos os homens do reino, não importando se varões, varinhas ou varetas, deveriam ser circuncidados. Mas o que Hemor não sabia, é que esse era a primeira etapa de um terrível plano de retaliação dos Irmãos Chapeleta. Tremei.

E assim foi feito. A primeira fez tchan, a segunda fez tchun e todos os homens do reino foram circuncidados. Era pele de pinto suficiente para matar a fome de um exército. Ica. E falando em exército, isso era uma coisa que o reino de Hemor não tinha. Todos os homens estavam de cama, com seus varões latejantes e doloridos, e essa era a deixa para início da segunda etapa do genial plano de Simeão e Levi. “Tomaram cada um sua espada, penetraram na cidade, que de nada desconfiava, e mataram todos os varões. Passaram ao fio de espada também Hemor e Siquém (Si-fudeu, né?), seu filho” (Gênesis 34:25-26). Foi faca na caveira. E de quebra “tomaram suas ovelhas, seus bois, seus jumentos e tudo o que havia na cidade como nos campos. E levaram como espólio todos os seus bens, seus filhos, suas mulheres e tudo o que se encontrava em suas casas” (Gênesis 34:28-29). Assassinaram, pilharam e levaram crianças e mulheres como escravos. Esse sim é o povo de Javé que eu conheço!

Agora, herege leitor, imagine que você é um humilde camponês no reino de Hemor. Você labuta como um condenado, sob o escaldante sol do deserto, para que você, sua esposa e seus filhos tenham o que comer. Um belo dia, seu rei decreta que todos os homens devem tirar a pele da chapeleta. Isso te parece mórbidamente estranho, mas você é um cara tranqüilo, que não quer confusão com as autoridades, e se submete à circuncisão. Procedimento, perceba, feito com todo o avanço médico que a Idade do Bronze oferece: Um gole de pinga como anestesia e um facão enferrujado como bisturi. Mas borá lá! Enquanto se recupera da mutilação, um estranho entra com o pé na porta da sua casa e você, incapacitado pelo inchaço peniano, é assassinado. De brinde, sua mulher e filhos são levados como escravos! Putaquetepariu! Não fazer parte do Povo Escolhido é uma merda, heim? Mas me perdoe, estou divagando.

O patriarca Jacó/Israel, que estava mais por fora que cotovelo de caminhoneiro, ficou puto quando soube do genocídio. “Só tenho comigo alguns homens e, quando toda essa gente se congregar contra mim para me ferir, perecerei com minha família" (Gênesis 34:30). Os Irmãos Chapeleta, para justificar as atrocidades, disseram: “Porventura, devíamos deixar tratar nossa irmã como uma prostituta?" (Gênesis 34:31). Poxa, eles tem razão, né? Não foi nada desproporcional essa retaliação. A mensagem é que você deve pensar duas vezes antes de tentar sacanear os descendentes de Abraão. Que linda historinha! O que ninguém lembrou foi de perguntar a Diná o que ela achava disso tudo.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Gênesis 30 (parte 2) - 31


Labão, o arameu, e seus irmãos cruzam o deserto em busca de Jacó.

Jacozinho há muito vivia de parasita na casa do duplo-sogro e tio Labão. E como se não bastasse ter abocanhado duas filhas e duas escravas, resolveu que ia se apossar de uma parte do rebanho de ovelhas que ele ajudou a criar. Para isso, Jacó sugeriu que ele ficasse com os animais malhados e deixasse os brancos para Labão. "Está bem, seja como dizes" (Gênesis 30:34), disse tio Labs. O que ele não sabia era que seu genro/sobrinho queria lhe sacanear, passar a perna, apunhalar pela costas. 171 mesmo. Digno de um descendente direto de Abraão. Jacó, orientado pelos anjos de Javé, selecionou repetidamente cabras fortes e saudáveis para cruzar com fêmeas malhadas, e cabras raquíticas e mal nutridas para cruzar com fêmeas brancas. Dessa forma, ele deixou Labão com um rebanho de bosta.

O que é mais irônico é que, o que Jacó fez, se chama seleção artificial. Se ele tivesse pensado sobre o assunto mais um pouquinho, ele poderia ter formulado A Teoria da Evolução! Quantos problemas isso teria evitado! Hoje não teríamos psicóticos fundamentalistas falando de criacionismo e nem psicóticos fundamentalistas disfarçados de cientistas falando de design inteligente! E Darwin poderia ter dedicado sua vida exclusivamente para colecionar besouros, que é o que ele gostava. Droga.

Mas estou divagando. A verdade é que a situação na casa de Labão se tornara insuportável. Ele estava puto com Jacó por ter fodido com o rebanho dele. Suas filhas Raquel e Lia também estavam desgostosas com o pai. “Não nos tratou ele como estrangeiras, vendendo-nos e devorando o nosso dinheiro?” (Gênesis 31:15). (estrangeiras que Jacó aceitou de bom grado, aliás). Imaginem o silêncio constrangedor na mesa do jantar. Labão, Jacó, Raquel, Lia, Bala, Zelfa e 13 filhos. O som de talheres e mastigação interrompido por um ocasional, seco e sarcasticamente polido “passe o sal”. Que clima! De saco cheio, Jacó, suas mulheres e sua prole resolveram fugir na calada da noite, escondidos de Labão, rumo a Canaã. Raquel, na hora da fuga ainda surrupiou os terafim de seu pai (sim, eu também tive que procurar no Google o que são terafim. São, pasmem, bonequinhos de divindades. Algo tão ridículo quanto imagens de santos. Mas que também serviam de vale-herança naqueles tempos. Capisce?).

Três dias depois, soube Labão da fuga de Jacó” (Gênesis 31:22). O velho era astuto como uma raposa! Só três dias! Pois tio Labs e seus irmãos montaram em suas motocicletas e saíram em disparada pelo deserto, seguindo o rastro do traiçoeiro Jacó. “Deus, porém, apareceu num sonho noturno a Labão, o arameu, e disse-lhe: ’Guarda-te de dizer algo a Jacó’”(Gênesis 31:24). Em outras palavras, “mesmo ele tendo te sacaneado, deixa pra lá porque ele é meu queridinho”. Foda, viu?

Nas montanhas de Galaad, Labão alcançou o cabra-safado do Jacó. “Que fizeste? Tu me enganaste, e conduziste minhas filhas como prisioneiras de guerra! Por que fugiste dessa forma, e me lograste em lugar de me avisar? Eu te teria despedido com manifestações de júbilo e com cânticos, ao som do tamborim e da harpa” (Gênesis 31:26-27). O imbecil do Jacó perdeu uma festa com tamborim e harpa! Mas o que Labão estava puto mesmo era com o sumiço dos seus bonequinhos. “Por que roubaste os meus deuses?" (Gênesis 31:30). E, então, pôs-se a revistar as tendas do bando de Jacó. Chegou à tenda de Raquel que, num ato de desespero (e talvez de necessidade), sentou em cima dos roliços terafim. E ainda disse "Não se irrite o meu senhor, se não posso levantar-me em sua presença, pois acho-me agora com a indisposição que costuma vir às mulheres" (Gênesis 31:35). Não é um jeito ótimo de se dizer menstruação? A-indisposição-que-costuma-vir-às-mulheres. E nem ouse levantar-se na presença de seu pai, ok?

Mas, voltando à nossa história, Labão estava puto e, agora, Jacó também estava puto por estar sendo acusado de ladrão de bonequinhos. Como eles poderiam resolver esse impasse? Simples, meu ávido leitor: Eles ergueram um monumento de pedra em homenagem àquele que adora ser homenageado: Javé! E voilá, estava resolvido. Jacó “ofereceu um sacrifício sobre a montanha e convidou seus parentes para comer” (Gênesis 31:54). Uma pilha de pedras e um churrasco. Que jeito mais idiota de se acabar uma história que já estava ruim.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Gênesis 30 (parte 1)



Raquel, a esposa #1 de Jacó, estava puta da vida por ser estéril, enquanto Lia, esposa #2 e irmã mais velha, já tinha parido mais do que uma coelha. De mão na cintura e batendo o pézinho, bradou para Jacó: “Dá-me filhos, senão morro!” (Gênesis 30:1). Jacó, como um verdadeiro cavalheiro, respondeu: “Acaso posso eu pôr-me no lugar de Deus que te recusou a fecundidade?” (Gênesis 30:2). Jacó sabia que O Bom Senhor tinha murchado os ovários dela. Na Bíblia, mulher boa cala a boca e pare filhos, e #1 não estava fazendo nada disso. Mas ela mesma tinha a solução. “Eis minha serva Bala: toma-a. Que ela dê à luz sobre os meus joelhos e assim, por ela, terei também filhos.” (Gênesis 30:3). A escrava Bala, a doce, agora seria promovida a #3 para gerar rebentos. Soa familiar ? Eu só não consigo visualizar como #3 dará à luz sobre os joelhos de #1 e como isso vai fazer com que o filho seja de #1. Pra mim, só vai dificultar o serviço do obstetra. Mas enfim, foi com esse esquema pornô-escravagista que nasceram Dã (dizem que ele aprendeu a falar o próprio nome com apenas 2 semanas de vida!) e Neftali.

Enquanto isso, observando tudo de cima, O Bom Senhor estava entediado. E, da mesma forma que uma criança mimada cutuca seus hamsters, Javé desativou os ovários de Lia, a #2. Ela já sabia o protocolo e, sem pestanejar, entregou sua escrava Zelfa para Jacó bimbar. Essa é a #4, caso você também esteja contando. E assim nasceram Gad e Aser. Javé bocejou de novo e shazam!, reativou a oogênese de #2, que pariu Issacar, Dina e, a cereja no bolo de nomes horríveis, Zabulon.

Acha que acabou? “Lembrou-se Deus de Raquel, ouviu-a e tornou-a fecunda.” (Gênesis 30:17). Mas como assim “lembrou-se”? O fidiputa não é onisciente? E todo o sofrimento de #1 foi porque Javé tinha esquecido dela? Ele perdeu a ficha dela na bagunça da escrivaninha? Sério, pelas barbas de Abraão, viu! Enfim, finalmente fecunda, #1 embuchou e pariu. E como não tinha tanto apreço por nomes estrambólicos, chamou seu rebento de José.

Trocando em miúdos, foram quatro parideiras, um exército de filhos e o Bom Senhor embaralhando as cartas ligando e desligando ovários. Como se já não estivesse claro o suficiente, essa parábola reforça o papel da mulher na Santíssima Bíblia Sagrada: uma parideira cujo valor é medido por quantos filhos ela consegue gerar. Some isso as já familiares poligamia e escravidão e você tem um livro que não só é confuso e repetitivo, mas que insiste em dar os mesmos maus exemplos. Eu não sei você, mas eu estou com dor de cabeça de acompanhar essa história. Por isso dividirei esse capítulo em dois, visto que a segunda parte tem pouca conexão com as peripécias poligâmicas de Jacózinho. Glória!

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Gênesis 29


"Europeus branquinhos que não tem nada a ver com nossa fábula do Oriente Médio" - William Dyce, óleo sobre tela.

Erguei as mãos e dai glória a Deus! Se você chegou agora à Bíblia Cítrica, não tema infiel! Tamanha é a minha misericórdia, que recapitularei o que você precisa saber para pegar o camelo andando. Jacó é o herói do momento. Descendente de Abraão e figurão do povo escolhido pelo Senhor, ele saiu numa jornada pelo deserto, rumo à casa de seu tio Labão. Lá, ele pretende escolher uma prima para desposar, no intuito de não se misturar e afinar o sangue com a gentalha que não foi escolhida por Javé. Gentalha, gentalha, gentalha. Tá comigo? Então vamos em frente.

Nos arredores de Harã, cidade onde vivia o tio Labs, havia um poço para ovelhas beberem água. E, tampando esse poço, uma puta de uma pedra pesada pra caralho. Quantos pastores já não rasgaram um pum ao tentar erguê-la sob o sol escaldante de meu Deus! "Conheceis porventura Labão, filho de Nacor?" (Gênesis 29:5), disse o forasteiro Jacó, tentando puxar um papo com os locais. “Sim”, respondeu um pastor sorrindo com seus quatro valiosos dentes, “e eis justamente sua filha Raquel que vem com o rebanho.” (Gênesis 29:6). Putaqueopariu! Que sorte! Jacó viu a oportunidade perfeita para impressionar sua prima: Erguer a tampa do poço com seus braços fortes, viris e abençoados por Javé! Entretanto, por algum motivo, a coisa descamba. Veja. “Logo que Jacó viu Raquel, filha de Labão, irmão de sua mãe, aproximou-se, rolou a pedra de cima da boca do poço e deu de beber às ovelhas de Labão”. Boa Jacózinho! Tá indo bem! “Depois beijou Raquel e pôs-se a chorar.” (Gênesis 29:10-11). Má-como?!? Que porra é essa de lascar um beijo assim sem pedir licença? E depois cai no choro? Comestes cocô, Jacó? Talvez, mas funcionou.

Depois desse papelão, Raquel levou Jacó para sua casa eles contaram tudo para o tio Labão. "Sim, tu és de meus ossos e de minha carne.” (Genesis 29:14), disse o velho numa brilhante constatação. De olho na prata da casa, Jacózinho foi ficando de hóspede e ajudando na labuta diária. Passado um mês, tio Labs, temendo ser pego por leis trabalhistas, disse: "Acaso, porque és meu parente, servir-me-ás (percebam o certeiro uso da mesóclise) de graça? Dize-me que salário queres." (Gênesis 29:15). Jacó não queria salário, vale refeição nem o dinheiro do busão. Jacó queria Raquel! “Eu te servirei sete anos por Raquel tua filha mais nova." (Gênesis 29:18). Labão refletiu por um minuto, coçando sua enorme laba, e topou o negócio. “Assim, Jacó serviu por Raquel sete anos, que lhe pareceram dias, tão grande era o amor que lhe tinha.” (Genesis 29:20). Lindo, né? Mas o romantismo acaba por aí. A pornochanchada bíblica que tanto gostamos começa agora.

Após sete anos na punheta, finalmente chegou o grande dia em que Jacó iria se casar com Raquel, e titio Labão convidou a cidade inteira para um grande banquete, com três ambientes (eletrônica, pop-rock e flashback), sushi bar e manobrista. Mas Labão tinha um plano secreto para pôr em prática: Acabado o bacubufo do caterefofo, ele iria conduzir sua filha Raquel à suíte de Jacó mas, ao invés disso, conduziu a irmã mais velha de Raquel, Lia! E, talvez por uma soma do quarto escuro com o porre da festa, Jacó traçou Lia! Carái véi! Pela manhã, Jacó acordou de ressaca e percebeu que havia acertado a bola na caçapa errada. "Que me fizeste? Não foi por Raquel que te servi? Por que me enganaste?", bradou para Labão, que respondeu: “Aqui não é costume casar a mais nova antes da mais velha. Acaba a semana com esta, e depois te darei também sua irmã, na condição que me sirvas ainda sete anos." (Gênesis 29:25-27). Jacó topou na hora. E de quebra, Labão ainda deu uma escrava chamada Zelfa como brinde por ele ter traçado Lia. Como aquelas promoções que, comprando um xampú, vem um condicionador de graça. E uma semana depois, Jacó finalmente desposou sua amada Raquel e, como a promoção ainda estava valendo, levou a escrava Bala de brinde (dizem que ela era um doce!).

E adivinha quem entra em cena para cagar em cima do que já estava fedendo? Ele! Javé! Não sei você, mas eu estava com saudades dos caprichos do Senhor. Ele viu que Jacó gostava mesmo de Raquel e só usava Lia como uma boneca inflável, e não gostou nada disso. Então ele estendeu sua poderosa mão em direção a Lia e shazam! “tornou-a fecunda enquanto Raquel permanecia estéril” (Gênesis 29:31). O Senhor, em sua glória e onipotência, gosta de intervir na vida mundana ligando e desligando os ovários das mulheres. É difícil de levar a sério um personagem desses. Jacó, apesar de amar mesmo Raquel, não acanhou-se de passar repetidamente a vara em Lia, que pariu os rebentos Rubem, Simeão, Levi (o inventor da calça jeans) e Judá.

O capítulo acaba aqui, mas o show de horrores na família poligâmica de Jacó não. Você não perde por esperar!

terça-feira, 11 de maio de 2010

Gênesis 26


"Isaac e Rebeca brincando de pau-de-sebo" - 1518-1519, afresco de Raffaello Sanzio.

Senhor Javé! Rogo para que me ilumine! Como, ó, como, Senhor Meu Deus? Como o maior best-seller da história pode ser tão ruim? Me acompanhe, herege leitor.

Recordemos Gênesis 12: Abraão muda-se para o Egito. Abraão, para salvar o próprio cu, diz que sua esposa Sara é sua irmã. O Faraó fode Sara e Deus fode o Faraó.

Não precisamos retroceder muito para recordar Gênesis 20: Abraão muda-se para as terras do Rei Abimalec. Abraão, para salvar o próprio cu, diz que sua esposa Sara é sua irmã. Abimalec quase fode Sara e Deus quase fode Abimalec.

Em Gênesis 26, uma fome se abate sobre a região e Isaac muda-se, com sua esposa Rebeca, para o reino do mesmo Abimalec. Agora, quem adivinhar o que acontece, vai concorrer a um brinde exclusivo do Bíblia com Limão e Gelo: um consolo de borracha anti-alérgica com a inscrição “O Senhor é meu pastor e nada me faltará” em alto relevo! Adivinhou? Parabéns, leitor! É exatamente isso! Isaac, para salvar o próprio cu, diz que sua esposa Rebeca é, pasmem, sua irmã.

Abimalec, que apesar de já ter caído no golpe antes, se surpreende ao flagrar Rebeca brincando de pega-vareta com Isaac e diz: “É evidente que é tua mulher! E como dizias tu que era tua irmã?". Isaac, ainda abotoando seu jeans, responde “Porque eu temia que me matassem por causa dela.". Abimalec, emputecido, brada: "Que nos fizeste? Um pouco mais e alguém do povo teria abusado de tua mulher, e terias atraído o pecado sobre nós!" (Gênesis 26:9-10). Se fosse irmã, não seria abuso e nem pecado, segundo a lógica bíblica. “Então Abimelec mandou publicar (no twitter?) diante de todo o povo que seria morto quem quer que tocasse naquele homem ou em sua mulher.” (Gênesis 26:11). Foi só no meu saco que essa história já deu? Obrigado.

O que se passa depois é uma bocejante disputa entre Isaac e o filisteus por poços de água, mas vou poupá-lo deste sofrimento. Se você, leitor com conhecimento bíblico, sabe de alguma importância histórico-cultural dessa pentelhação, nos ilumine na caixa de comentários. Porque, pra mim, parece só algo tão vago que um padre/pastor pode usar como metáfora para o que for mais conveniente.

Pra finalizar, Esaú “tomou por mulheres Judite, filha de Beeri, o hiteu, e Basemat, filha de Elon, o hiteu.” (Gênesis 26:34). Não me surpreende que um homem vermelho e peludo tenha duas esposas. Não explica bem porque, mas “elas foram um motivo de desgosto para Isaac e Rebeca.” (Gênesis 26:35). Seria porque elas são filhas de hiteus e não pertencem ao povo escolhido descendente de Abraão? Quem quer ser xenofóbico e preconceituoso encontra respaldo na nossa Bíblia Sagrada. Vou lá ajoelhar no milho que dói menos.

sexta-feira, 19 de março de 2010

Gênesis 23-24


Celebrai! A boa notícia é que Gênesis 23 pode ser trocado em miúdos: Sara, a mulher-maçaneta (que todo mundo passou a mão), empacota aos 127 anos de idade. Abraão, querendo um bom jazigo para sua defunta, a enterra numa caverna na terra de Efrom. E fim.

A má notícia é que Gênesis 24 é um capítulo um pouco mais longo. Mas juntos chegaremos lá! Avante.

O velho Abraão chama seu mais antigo e fiel escravo e diz “Mete tua mão debaixo de minha coxa.” (Gênesis 24:2). Ó-quêi-pó-pará! Teria o velho ficado pervertido com a ausência de Sara? Mete a mão debaixo da coxa? E depois? Cheira? Ica. Mas não é nada disso, hereges pecadores da mente pútrida e pestilenta. Era desse jeito que se fazia uma promessa nos tempos bíblicos. “Quero que jures pelo Senhor, Deus do céu e da terra, que não escolherás para mulher de meu filho nenhuma das filhas dos cananeus, no meio dos quais habito; mas irás à minha terra, à minha parentela, e lá escolherás uma mulher para o meu filho Isaac." (Gênesis 24:3-4). Abraão quer que seu filho mantenha a tradição endogâmica familiar e não se misture com a gentalha que o cerca, por isso pede ao seu servo que vá buscar uma mulher em sua terra natal.

Mas o astuto escravo sabe que a coisa pode ser mais complicada: Um camelo vai para onde você puxar. O escravo, ao contrário de Abraão, sabe que uma mulher é um pouco diferente de um camelo, e indaga: “Talvez essa mulher não me quererá seguir a esta terra; nesse caso, poderei reconduzir o teu filho à terra de onde saíste?" (Gênesis 24:5). Abraão diz “Guarda-te bem de reconduzir para lá o meu filho! (ou, em bom Português, “o caralho que você vai reconduzir para lá o meu filho!”)(...) se ela não te quiser seguir, estarás desobrigado do juramento que te impus. Somente não reconduzas,de forma alguma, para lá o meu filho." (Gênesis 24:6-8). Ok, não precisa dar chilique. “Pôs, então, o servo sua mão debaixo da coxa de Abraão, seu senhor, e fez-lhe o juramento que ele pedia.” (Gênesis 24:9). Eu juro que não inventei essa história da mão na coxa.

E assim partiu o escravo para Nacor, levando camelos, ouro e toda sorte de eletro-eletrônicos, em busca de um pitéuzinho para Isaac. Já nos arredores da cidade de Nacor, nosso amigo resolveu parar sua comitiva num poço para dar um relax. E aproveitou para pedir uma ajuda ao Senhor na sua missão: “Senhor, Deus de Abraão, meu senhor, fazei-me encontrar hoje o que desejo, e manifestar vossa bondade para com meu senhor Abraão. Eis-me aqui, de pé, junto desta fonte onde as filhas dos habitantes da cidade virão buscar água. Portanto, a donzela a quem eu disser: ‘Inclina o teu cântaro, por favor, para que eu beba’ -, e me responder: ‘Bebe, e darei de beber também aos teus camelos’ -, essa seja a que destina ao vosso servo Isaac. Por isto conhecerei que manifestais vossa bondade para com meu senhor." (Gênesis 24:14). Improvável, né?

Mas Deus é pai e foi tiro e queda! Surgiu imediatamente uma jovem chamada Rebeca com um cântaro nos ombros. “A jovem era extremamente bela, virgem, e homem algum a havia possuído.” (Gênesis 24:16). Extremamente bela e extremamente virgem. E quando o escravo pediu água, a jovem seguiu o script direitinho: "Bebe, meu senhor. Vou buscar água também para os teus camelos, para que todos bebam." (Gênesis 24:18-19). Bingo! Para impressionar a moça, o escravo saca um anel e dois braceletes de ouro e pergunta: “Haveria na casa de teu pai um lugar para passarmos a noite?" (Gênesis 24:23). Eu responderia: “Alguém que anda com anéis e braceletes de ouro a dar com pau, não tem dinheiro para se hospedar num hotel, ó nobre estrangeiro?”. Mas Rebeca não é ranzinza e rude como o autor que vos escreve, e responde: “Há em nossa casa palha e forragem em abundância, e também lugar para passar a noite.” (Gênesis 24:25).

Rebeca voltou saltitando para sua humilde residência e, tilintando o ouro que acabara de ganhar, contou o ocorrido para sua família. Seu irmão, Labão (me pergunto se esse era o nome dele mesmo, ou se era um apelido em virtude do tamanho do... ah, deixa pra lá), vê no abonado estrangeiro uma chance para amarrar seu burrinho na sombra. "Vem, bendito do Senhor, disse ele, por que permaneces aí fora? Preparei a casa e um lugar para os camelos." (Gênesis 24:31). E, na mesa do jantar, o servo de Abraão resolveu abrir o jogo: “Eu sou escravo de Abraão. (...) O meu senhor fez-me jurar que eu não escolheria para o seu filho uma mulher entre as filhas dos cananeus, em cuja terra ele mora, mas que viria à casa de seu pai, à sua família, para aí escolher uma mulher para o seu filho.” (Gênesis 24:34-38). Labão e o pai de Rebeca, Batuel, não hesitaram em entregar a moça ao escravo estrangeiro. “Eis aí Rebeca: toma-a e parte. Que ela seja a mulher do filho de teu senhor, como o Senhor disse." (Gênesis 24:51). E para deixar todo mundo feliz, o escravo encheu Rebeca e sua família de fabulosos presentes, como perfumes importados, iPods® e calçados Nike®.

Na manhã seguinte, quando o escravo estava se preparando para sair e levar sua mulher-troféu de volta para casa, Labão e a mãe de Rebeca disseram: “Fique a jovem ainda conosco alguns dias, ao menos dez dias; depois disto partirá." (Gênesis 24:55). Aí fodeu. Estava tudo certinho, no esquema: o escravo voltando para casa com uma mulher para Isaac, e todo mundo feliz cheio de presentes. E aí vem Labão e a velha com esse papo de “veja bem”? Nananina, o escravo não gostou nada dessa quebra de contrato. “Não me retenhais, tornou ele: pois que o Senhor fez bem-sucedida a minha viagem, deixai-me partir e voltar para o meu senhor." (Gênesis 24:56). E agora? Como resolver esse angu de caroço? “Chamemos a jovem, disseram eles, e perguntemos-lhe o seu parecer." (Gênesis 24:57). O que?!? Eles vão perguntar para Rebeca o que ela acha?!? Glória, Senhor! Ao ser questionada se queria partir com o escravo, Rebeca disse “sim” (Gênesis 24:58)! E assim ela partiu, “juntamente com sua ama-de-leite, com o servo de Abraão e seus companheiros.” (Gênesis 24:59).

Isaac viu de longe a comitiva se aproximando, e Rebeca também viu Isaac. “Ela disse ao servo de Abraão: ‘Quem é aquele homem que vem ao nosso encontro no campo?’ É o meu senhor’, respondeu ele. E ela tomou depressa o véu e cobriu-se.” (Gênesis 24:65). Seria o véu um embrulho de presente? “E Isaac introduziu (em) Rebeca na tenda de Sara, sua mãe. Desposou-a, e ela tornou-se sua mulher muito amada. E desse modo Isaac consolou-se da morte de sua mãe.” (Gênesis 24:67). Peraí! Quer dizer que o escravo, eu e você passamos por tudo isso para que Isaac se consolasse da morte da mãe? Me poupe.

Me parece que as histórias bíblicas estão mudando um pouco. Convenhamos que foi um avanço a opinião da jovem Rebeca ser levada em consideração. Deus também parece estar agindo de forma mais indireta. Estou até com saudades do velho Javé que mandava chuvas de fogo e enxofre quando estava entediado. Me pergunto se ele vai voltar. Mas a mensagem é que o velho Abraão não queria seu filho se misturando com outro povo/etnia/religião. Soa familiar?

sábado, 30 de janeiro de 2010

Gênesis 20

Sugiro que você pegue agora seu exemplar da Bíblia Sagrada, que certamente está ao alcance de sua mão, e consulte Gênesis 12. Se, por algum infortúnio do destino, sua bíblia não está com você agora (por exemplo, seu cônjuge pode estar usando-a para orar fervorosamente em algum outro local da casa), consulte a bíblia online em nossa lista de links. Mas nem pense em consultar os arquivos deste blog, visto que ele apresenta uma versão deturpada e desrespeitosa das escrituras. Enfim, em Gênesis 12, Abraão, que ainda se chamava Abrão, disse para um faraó que sua mulher Sara, que ainda se chamava Sarai, era sua irmã. Por motivos que até Deus duvida, Sara acabou sentando no colinho do faraó e Abraão foi agraciado com muitos presentes. Lembrou?

Pois bem, neste capítulo, Abraão, depois do show de horrores que foi a destruição de Sodoma e Gomorra, resolveu peregrinar para o reino de Gerara, onde Abimalec era rei. E, quem diria, resolveu aplicar o golpe do trace-minha-esposa-porque-ela-é-minha-irmã de novo! “Ele dizia de Sara, sua mulher, que ela era sua irmã. Abimelec, rei de Gerara, arrebatou-lha (mesmo ela tendo já seus noventa e cacetada).” (Gênesis 20:2). Mas antes que o rei arrebatasse de fato Sara, o Deus Altíssimo lhe aparece num sonho e ameaça: “Vais morrer, por causa da mulher que roubaste, porque é casada.” (Gênesis 20:3). Abimeleca, como qualquer pessoa sensata, acha que Deus é um imbecil e questiona: “Senhor, fareis perecer mesmo inocentes? (ah, se vossa majestade soubesse quantos inocentes o bom Deus já ceifou...) Não me disse ele que ela era sua irmã? E ela mesma me disse: É meu irmão. É na simplicidade de meu coração e com as mãos puras que fiz isso.” (Gênesis 20:5). Meio sem jeito, o Todo Poderoso responde: “Sei que é na simplicidade do teu coração que agiste assim; por isso, preservei-te de pecar contra mim, e não deixei que a tocasses.” (Gênesis 20:5). Curiosamente, ele não teve esse cuidado quando o faraó, de Gênesis 12, caiu no mesmo golpe. “Devolve agora a mulher deste homem, que é profeta (com mulher de profeta não se mexe, pelo jeito), e ele rogará por ti para que conserves a vida. Mas, se não a devolveres, sabes que morrerás seguramente, tu e todos os teus.” (Gênesis 20:7). E assim, o Rei Abimoleque, ameaçado de morte, não encosta um dedinho sequer na Miss Velho Testamento, Sara.

Mas o nosso amigo rei, com razão, quer saber por que Abraão aprontou essa porra para cima dele, e pergunta: “Que nos fizeste? Em que te ofendi para que nos expusesses, a mim e ao meu reino, ao castigo de um tão grande pecado. Fizeste-me o que não devias fazer. Que tiveste em vista agindo assim?” (Gênesis 20:9-10). Abraão, na maior cara de pau, responde: “Eu pensava comigo que não havia certamente nenhum temor a Deus nesta terra (preconceituoso, né?), e que me matariam por causa de minha mulher (repito: de mais de 90 anos!).” (Gênesis 20:11). Ou seja, o exemplar patriarca Abraão não tem problemas em fazer Abimalec e companhia serem massacrados injustamente pelo bondoso Deus para salvar o próprio traseiro.

Mas o melhor vem agora. Abraão, como nas melhores novelas mexicanas, solta a bomba: “Aliás, ela é realmente minha irmã, filha de meu pai, mas não de minha mãe; ela tornou-se minha mulher.” (Gênesis 20:12). Exatamente, Abraão é meio-irmão de Sara. O que faz dele meio-mentiroso, meio-incestuoso e um completo imbecil. Mas, depois dos casos de incesto escabrosos que já vimos neste fabuloso livro de valores, isso nem é tão surpreendente. E Abraão continua: “Quando Deus me tirou da casa de meu pai, eu disse-lhe: Faze-me esta graça: onde quer que formos, dirás de mim que sou teu irmão.” (Gênesis 20:13). Traduzindo: “És muito gostosa. Portanto, onde formos, dirás que sou teu irmão e darás o bumbunzinho para qualquer um. Dessa forma nunca serei morto por sua causa e de quebra ainda posso ganhar uns presentinhos”.

E, novamente, foi tiro e queda. “Tomou então Abimelec ovelhas, bois, servos e servas, e deu-os a Abraão, ao mesmo tempo que lhe devolvia Sara, sua mulher.” (Gênesis 20:14). Abraão, feliz da vida, “intercedeu junto de Deus, que curou Abimelec, sua mulher e suas servas, e deram novamente à luz.” (Gênesis 20:17). Não sabia que Abimolenga e suas mulheres estavam com problemas para engravidar? Nem eu. “Porque o Senhor tinha ferido de esterilidade todas as mulheres da casa de Abimelec, por causa de Sara, mulher de Abraão.” (Gênesis 20:18). Aaah bom, agora entendi. Olha, eu não sou nenhum exemplo de escritor, mas esse livro é mal escrito pracaralho, heim?

Agora falando sério (mas não muito), essa não é a primeira vez e nem será a última que histórias vão se repetir na Sagrada Bíblia. Peço desculpas pelas histórias manjadas e piadas repetitivas. Mas vamos juntos segurar na mão de Deus e ir em frente!

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Gênesis 17



Glória, irmãos, glória!

Abrão já surfava nos seus 99 anos de vida, quando Deus lhe aparece em mais uma visão. Cá pra nós, a aparição do Senhor, com sua voz grave e reverberante, acompanhada pelo canto de mil querubins e trombetas, deve ser muito impressionante na primeira vez. Mas pela centésima vez, Abrão deve ter pensado “lá vem ele de novo...”. E ele disse: “Eu sou o Deus Todo-poderoso (que modéstia, não?). Anda em minha presença e sê íntegro; quero fazer aliança contigo e multiplicarei ao infinito a tua descendência.” (Gênesis 17:1-2). Sério, quem ainda agüenta esse papo de “aliança” e “multiplicar a descendência”? Eu que não.

E Javé continua: “De agora em diante não te chamarás mais Abrão, e sim Abraão, porque farei de ti o pai de uma multidão de povos.” (Gênesis 17:5). Uepa, pó-pará! Deus vai fazer de Abrão o pai de uma multidão de povos e dá de presente uma letra “a” para o nome dele?!? Não um cajado maneiro, ou um megafone, ou uma conta no twitter. Não. Um “a”. Desculpe, mas isso Abrão poderia ter feito sozinho. Eu admito que Abraão soa mais musical, tem mais ritmo. Abra-ão. Parece que escorrega da língua. Mas só. E o Senhor continua: “Darei a ti e a teus descendentes depois de ti a terra em que moras como peregrino, toda a terra de Canaã, em possessão perpétua, e serei o teu Deus." (Gênesis 17:8). É a danada da Terra Prometida.

Agora, amigo leitor, preste atenção, pois essa parte é do caralho: “Eis o pacto que faço entre mim e vós, e teus descendentes, e que tereis de guardar: Todo homem, entre vós, será circuncidado. Cortareis a carne de vosso prepúcio, e isso será o sinal da aliança entre mim e vós.” (Gênesis 17:10-11). Exatamente! Deus, em sua glória, decidiu que o sinal que marcaria seu povo escolhido seria ter a chapeleta cortada. O Senhor, por ser Todo-Poderoso, deve ter visão de raio-x, e pode ver a benga de qualquer homem quando bem entender. Para os homens se reconhecerem, entretanto, a coisa fica mais constrangedora: “Com licença, amigo. Podes levantar sua toga para que eu averigue se és um dos escolhidos?”. E tem mais. “Todo homem, no oitavo dia do seu nascimento, será circuncidado entre vós nas gerações futuras, tanto o que nascer em casa, como o que comprardes a preço de dinheiro de um estrangeiro qualquer, e que não for de tua raça.” (Gênesis 17:12). Ou seja, até escravos, comprados de um “estrangeiro qualquer”, entram na jogada. “Circuncidar-se-á tanto o homem nascido na casa como aquele que for comprado a preço de dinheiro. Assim será marcado em vossa carne o sinal de minha aliança perpétua (Deus gosta de se repetir, como já vimos). O varão (ou varinha! há!) incircunciso, do qual não se tenha cortado a carne do prepúcio, será exterminado de seu povo por ter violado minha aliança."(Gênesis 17:13-14). Não entendi muito bem esse “exterminado de seu povo”. Se “exterminar” é o mesmo verbo usado pelo Arnold Schwazenegger e por empresas de dedetização, então significa matar. O homem que tiver seu bilau encapuzado, como se não bastasse ter um maior risco de infecções genitais, ainda será jurado de morte pelo povo escolhido? Ô castigo!

Como reconhecer as mulheres, como sempre, não importa. Apesar de que, neste caso específico, acho que as mulheres se deram bem por serem esquecidas. Escaparam de rituais de mutilação numa época em que não havia bisturis e a anestesia era tomar um porre. Ufa!

O Senhor Javé, que parece que acordou com siricutico, continua a dar decretos: “Não chamarás mais tua mulher Sarai, e sim Sara. Eu a abençoarei, e dela te darei um filho. Eu a abençoarei, e ela será a mãe de nações e dela sairão reis." (Gênesis 15:16). Ótimo, Abra-a-ão ganhou uma letra e Sara-i perdeu uma. E que delicadeza, né? “Dela sairão reis”. Espero que não estejam usando coroa quando saírem.

Abraão, mesmo com seu novo nome, sabe que a pipa do vovô não sobe mais não segura a risada. “Abraão prostrou-se com o rosto por terra, e começou a rir (pf... pf, pf... pfahahahaha!), dizendo consigo mesmo: ‘Poderia nascer um filho a um homem de cem anos? Seria possível a Sara conceber ainda na idade de noventa anos?’" (Gênesis 17:17). Teria o Senhor Javé comido cocô? "Oxalá que Ismael viva diante de vossa face!" (Gênesis 17:18), disse Abraão. Mas a Deus tudo é possível, e não seriam meros casos de paumolecência e esterilidade que impediriam o plano divino de se concretizar! “Não, é Sara, tua mulher que dará à luz um filho, ao qual chamarás Isaac. Farei aliança com ele, uma aliança que será perpétua para sua posteridade depois dele. Eu te ouvirei também acerca de Ismael. Eu o abençoarei, torná-lo-ei fecundo e multiplicarei extraordinariamente sua descendência: ele será o pai de doze príncipes, e farei sair dele uma grande nação. Mas minha aliança eu a farei com Isaac, que Sara te dará à luz dentro de um ano, nesta mesma época." (Gênesis 17:19-21). Ou seja, amigo Abraão, assim que a piroca cicatrizar já pode começar a trabalhar na madeira, meu caro.

Abraão tomou então Ismael, seu filho, assim como todos os homens nascidos em sua casa e todos aqueles que tinha comprado a preço de dinheiro (que jeito mais chato de dizer “escravos”!), tudo o que havia de varões em sua casa, e circuncidou-se no mesmo dia, como Deus lhe havia ordenado.” (Gênesis 17:23). Abraão, com um cutelo enferrujado na mão: “Minha gente, todos com os varões pra fora! Ordens divinas!”. Assustador, heim? “(...) e todos os homens de sua casa, nascidos em sua casa ou comprados a preço de dinheiro a estrangeiros (argh!), foram circuncidados ao mesmo tempo.” (Gênesis 17:27). Sorte nossa que Abraão não resolveu fazer um churrasco em oblação ao Senhor com tanta carne sobrando. Eca.

sábado, 19 de dezembro de 2009

Gênesis 16


'Abrão, Sarai e Agar fazem um bem-bolado' de Adriaen van der Werff

Gosta de pornografia na internet? Ótimo, porque você está no site certo! Nossa história andava um pouco confusa e entediante, mas parece que os roteiristas se tocaram que samba, suor e sacanagem dão ibope. “Sarai, mulher de Abrão, não lhe tinha dado filho; mas, possuindo uma escrava egípcia, chamada Agar, disse a Abrão: ‘Eis que o Senhor me fez estéril; rogo-te que tomes a minha escrava, para ver se, ao menos por ela, eu posso ter filhos’”. Exatamente! “Abrão, por favor, trace esta escrava já que sou estéril, sim?”. O melhor é o desfecho destes dois versículos. “Abrão aceitou a proposta de Sarai.” (Gênesis 16:1-2). Ah vá! Sério? Pobre homem.

Eis que Abrão agasalhou seu croquete sem dó na escrava Agar, a egípcia, engravidando-a. Podemos acusar Abrão de muitas coisas, mas o velho dá no couro, viu? Consta que ele tinha seus 85 anos durante o ocorrido. Teriam os habitantes de Canaã acesso à Catuaba Selvagem? Cerveja Caracu batida com ovo e amendoim? Mistério.

Já “Agar, vendo que tinha concebido, começou a desprezar a sua senhora.” (Gênesis 16:4). Mudava de canal bem na hora da novela de Sarai, largava louça suja na pia, devolvia forma de gelo vazia no freezer e coisas do gênero. A vida a três ficara insuportável. “Então Sarai”, com o rolo de macarrão na mão, “disse a Abrão: ‘Caia sobre ti o ultraje que me é feito! Dei-te minha escrava, e ela, desde que concebeu, olha-me com desprezo. O Senhor seja juiz entre mim e ti!’” (Gênesis 16:5). Abrão, com uma covardia digna dos homens preferidos de Deus, responde: “Tua escrava está em teu poder, faze dela o que quiseres.". Ele lavou as mãos. A mulher na Bíblia é essencialmente uma boneca inflável que gera herdeiros, e Abrão estava cagando para Agar e o filho na barriga dela. Sarai aproveitou a luz verde e “maltratou-a de tal forma que ela teve de fugir.” (Gênesis 16:6).

A escrava Agar, a egípcia, pôs-se a vagar pelo deserto, com náuseas, pés inchados e desejos repentinos por bolo de chocolate, até se deparar com um anjo do Senhor! Isso, mesmo! Não era um louco usando asas de arame e algodão, nem uma alucinação por estar vagando pelo deserto. Era um anjo mesmo! E “disse-lhe: ‘Agar, escrava de Sarai, donde vens? E para onde vais?’ (desinformado esse anjo, né?) ‘Eu fujo de Sarai, minha senhora’, respondeu ela. ‘Volta para a tua senhora, tornou o anjo do Senhor, e humilha-te diante dela.’ E ajuntou: ‘Multiplicarei tua posteridade de tal forma, e será tão numerosa, que não se poderá contar.’” (Gênesis 16:8-10). Sério? Esse papo de “multiplicar a posteridade” de novo? Isso é o melhor que Deus tem a oferecer? “Você será uma escrava, vai servir de parideira para seu dono e vai ser maltratada pela sua dona. Mas vou multiplicar sua posteridade, ok?”. Uau! Obrigado Senhor, por esta graça! E na bundinha não vai nada?

Pois o anjo do Senhor ainda profetiza: "Estás grávida, e vais dar à luz um filho: dar-te-ás o nome de Ismael, porque o Senhor te ouviu na tua aflição (ouviu mesmo?). Este menino será como um jumento bravo: sua mão se levantará contra todos e a mão de todos contra ele, e levantará sua tenda defronte de todos os seus irmãos." (Gênesis 16:11-12). Opa! Todo mundo sabe que um menino como jumento bravo é encrenca! E se, além de bravo, também for esperto como um jumento, não podemos exigir notas altas no boletim do jovem.

Agar deu ao Senhor, que lhe tinha falado, o nome: Vós sois El-roí, ‘porque, dizia ela, não vi eu aqui mesmo o Deus que me via?’” (Gênesis 16:13). Explico: Agar chamou o anjo (“Senhor que lhe tinha falado”) o nome de El-roí, que significa “Deus que vê”. Deus (ou o anjo, ou sei lá quem) não viu Abrão usar e descartar a escrava Agar, nem viu Sarai a maltratar até ela não agüentar mais, e nem sabia de onde nem para onde ela ia. Mas mesmo assim ganhou o título de “Deus que vê”. Eu o chamaria de “Deus que está precisando de óculos”.

Enfim, Agar finalmente dá à luz ao rebento chamado Ismael. “Abrão tinha a idade de oitenta e seis anos quando Agar lhe deu à luz Ismael.” (Gênesis 16:16). Não falei que o velho ainda tinha bala na agulha?

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Gênesis 5

A depressão criativa do autor/autores da Bíblia continua forte neste capítulo. E como vocês sabem, quando a Bíblia sofre, este Blog sofre. Por isso peço desculpas pelo post curto, vagabundo e sem-graça. Mas lá vai.

Este é o livro da história da família de Adão. Quando Deus criou o homem, ele o fez à imagem de Deus” (Gênesis 5:1). Ok, vamos de leve. Para começar, chamar um capítulo de “livro” é forçar um pouco a barra, heim? Depois, “a família de Adão”, se eu entendi bem, somos todos nós. Enfim. Deus criou o homem, humildemente, à imagem dele mesmo. E, para sacanear, criou o chimpanzé um pouquinho diferente. E o bonobo mais um pouquinho. E o gorila. E assim por diante até o ornitorrinco, quando ele estava certamente entediado.

Criou-os homem e mulher, e os abençoou, e deu-lhes o nome de homem no dia em que os criou” (Gênesis 5:2). Abençoou? Eu tinha certeza que ele só tinha almadiçoado até agora. E também não entendi muito bem essa lógica: “Olá homem, você se chama homem. Olá mulher, você se chama homem”. Depois disso o capítulo descamba para trinta versículos contando a descendência de Adão e quanto tempo cada um viveu. Seria quase totalmente entediante se a expectativa de vida média dessa gente não girasse em torno dos 800 anos. O recorde ficou com Matusalém, que morreu com 969 anos. Se algum filho ou neto estava esperando a herança do velho para botar o burro na sombra, se deu mal. Por que hoje em dia dificilmente passamos dos 80? McDonald’s, Coca-Cola e agrotóxicos, talvez.

Curiosamente, ou nem tanto, a descendência de Adão não cita nenhuma mulher. Adão gerou Set, que gerou Enos, que gerou Cainan e o cacete. As mulheres tiveram só o trabalho de carregar os bonitões por nove meses, ter cólicas, náuseas, inchaços e tudo mais. Além de parir, que só posso imaginar como é (creio que seja tentar passar uma bola de sinuca por uma de minhas narinas). E dar de mamar, e limpar a... ah, você pegou idéia. Realmente elas não merecem ser citadas.

É isso. Obrigado e desculpe.

sábado, 31 de outubro de 2009

Gênesis 3



Se você ainda acha que a história não está avacalhada o suficiente, quem sabe agora: Animais falantes! É assim que Gênesis 3 começa. “A serpente era o mais astuto de todos os animais dos campos que o Senhor Deus tinha formado. Ela disse a mulher: ‘É verdade que Deus vos proibiu comer do fruto de toda árvore do jardim?’” (Gênesis 3:1). Papo vem, papo vai, a mulher cai no golpe da serpente e come o fruto da árvore-da-ciência-do-bem-e-do-mal (nome comprido, né?). E ainda “(...) o apresentou também ao seu marido (quando eles casaram mesmo? Perdi essa parte!), que comeu igualmente” (Gênesis 3:6).

Antes de continuarmos, só um adendo. Eu não gosto de pegar no pé de divindades, mas veja só: Deus colocou a tal árvore proibida no jardim do Éden, certo? Deus também colocou um animal (falante, eu insisto) cheio de malemolência nesse mesmo jardim, certo? Desculpe, mas não precisa ser nenhum engenheiro para ver que a merda estava feita. Cedo ou tarde a coisa ia desandar.

E desandou. Tamanho foi o revertério que fruto causou na barriga dos dois, que eles finalmente perceberam que estavam nus! E “tomaram folhas de figueira, ligaram-nas e fizeram cinturas para si” (Gênesis 3:7). (Exatamente! Então se você está aí nu enquanto lê este blog, pode ir já pegar uma folha de figueira e cobrir suas vergonhas!) E apesar de tanto pudor, não achei nenhum versículo que dissesse que o homem reclamou do topless da mulher. Mas enfim, isso é só minha mente maculada trabalhando. Voltemos à novela.

O homem e a mulher escutaram os passos de Deus, que estava dando uma voltinha e curtindo a brisa da tarde (mesmo!), e se esconderam nas árvores. Mas Deus, já sentindo cheiro de encrenca, chama pelo homem que se entrega e diz “Ouvi o barulho dos vossos passos no jardim; tive medo, porque estou nu; e ocultei-me” (Gênesis 3:10). O Senhor, em sua sapiência, percebe que tem gato nessa tuba e começa o interrogatório: “Quem te revelou que estavas nu? Terias tu porventura comido do fruto da árvore que eu te havia proibido de comer?” (Gênesis 3:11). “Responde, filhadaputa!” eu teria adicionado.

O homem, num ato de covardia digno do primeiro ser humano da terra, não hesita em dedurar a mulher logo de cara: "A mulher que pusestes ao meu lado apresentou-me deste fruto, e eu comi” (Gênesis 3:12). Ah safado! A mulher, vendo que o homem se livrou rapidinho, passa a batata quente para a serpente: "A serpente enganou-me,- respondeu ela - e eu comi." (Gênesis 3:13). Deus ficou puto. Se podemos tirar alguma lição deste livro, é que emputecer Deus é um péssima idéia. De nada adiantou o homem, a mulher e a serpente ficarem jogando a culpa um no outro. Deus resolveu foder a vida dos três.

A serpente, “serás maldita entre todos os animais e feras dos campos; andarás de rastos sobre o teu ventre e comerás o pó todos os dias de tua vida. Porei ódio entre ti e a mulher, entre a tua descendência e a dela. Esta te ferirá a cabeça, e tu ferirás o calcanhar" (Gênesis 3:14-15). Tomou? Aparentemente, a serpente tinha pernas e esse corpo esguio e rastejante que conhecemos hoje foi uma maldição divina. Ô castigo! Além disso, se o objetivo do Senhor Deus era criar uma inimizade entre a mulher e a cobra, o tiro saiu pela culatra.

Para a mulher, Deus, em sua ira, lançou: “Multiplicarei os sofrimentos de teu parto; darás à luz com dores, teus desejos te impelirão para o teu marido e tu estarás sob o seu domínio” (Gênesis 3:16). É isso mesmo. A mulher estará sob o domínio do homem. Um conceito perfeitamente aceitável se você vive numa tribo no oriente médio há milhares de anos atrás, quando uma mulher valia pouco mais que um bom camelo. Ainda bem que ninguém mais leva esse livro a sério hoje em dia! E, por falta de evidências históricas, só me resta supor que o seguinte diálogo aconteceu entre o homem e o Senhor:

- Deus, aquela história de multiplicar os sofrimentos do parto e tal... Você vai aumentar o tamanho da cabeça do neném ou diminuir a...?
- Vou diminuir a...
- YESSS!!!

Mas o Senhor interrompeu a alegria serelepe do homem ao dizer: "Porque ouviste a voz de tua mulher e comeste do fruto da árvore que eu te havia proibido comer, maldita seja a terra por tua causa. Tirarás dela com trabalhos penosos o teu sustento todos os dias de tua vida. Ela te produzirá espinhos e abrolhos, e tu comerás a erva da terra. Comerás o teu pão com o suor do teu rosto, até que voltes à terra de que foste tirado; porque és pó, e pó te hás de tornar” (Gênesis 3:17-19). É isso, meu amigo. O homem, que levava a vida na flauta, saltitando pelo Éden, balançando seu pirulito para lá e para cá, vai ter que começar a pegar no batente! E tudo isso porque ele cometeu o erro de ouvir a voz da mulher! Esposa aqui não pode nem abrir a boca.

Finalmente, aprendemos os nomes dos nossos heróis. “Adão pôs à sua mulher o nome de Eva, porque ela era a mãe de todos os viventes” (Gênesis 3:20). Se isso não fez o menor sentido para você também, ótimo. Então Deus, achando que as folhas de figueira eram muito sensuais e sem o menor problema em usar casacos de pele, “fez para Adão e sua mulher umas vestes de peles, e os vestiu. E o Senhor Deus disse: ‘Eis que o homem se tornou como um de nós, conhecedor do bem e do mal. Agora, pois, cuidemos que ele não estenda a sua mão e tome também do fruto da árvore da vida, e o coma, e viva eternamente’" (Gênesis 3:21-22). Alto lá! “Como um de nós” quem, cara pálida? Com quem Deus está falando? Com outros deuses? Nem chegamos na parte da Santíssima Trindade e já podemos jogar o monoteísmo pela janela! E Deus, sabiamente, não quer que seu pet viva eternamente. Se bem que, se isso fosse uma preocupação minha, eu teria escolhido um hamster.

Tá cansado? Eu também, mas já está acabando. Deus então dá o primeiro pé-na-bunda da história e expulsa Adão e Eva do Éden e, provavelmente por ordem da seguradora, coloca querubins armados até os dentes protegendo a árvore da vida eterna. Tenha medo!

Nesse capítulo vimos como e porque a humanidade vive neste mundo cheio de filas de banco e internet lenta, e não no paraíso. O texto deixa claro, mais de uma vez, que a mancada da mulher foi o estopim para toda a miséria e desgraça do planeta. Podíamos deixar de hipocrisia e rebatizar “O Pecado Original” para “A Cagada de Eva”. Mas cá pra nós, preciso advogar em defesa da portadora da primeira mitocôndria. Imagine que um adulto entrega uma caixa de fósforos para duas crianças, chamadas Adão e Eva, brincarem. Eva risca um fósforo e queima Adão. Quem é o imbecil da história? Obrigado.

Para terminar, recapitulemos o que Deus disse para Adão em Gênesis 2. Se o homem comesse o danado do fruto ele morreria “indubitavelmente”. Ele não morreu. Além de irresponsável e vingativo, podemos adicionar mentiroso à lista de adjetivos para o nosso bom Deus.