
Raquel, a esposa #1 de Jacó, estava puta da vida por ser estéril, enquanto Lia, esposa #2 e irmã mais velha, já tinha parido mais do que uma coelha. De mão na cintura e batendo o pézinho, bradou para Jacó: “Dá-me filhos, senão morro!” (Gênesis 30:1). Jacó, como um verdadeiro cavalheiro, respondeu: “Acaso posso eu pôr-me no lugar de Deus que te recusou a fecundidade?” (Gênesis 30:2). Jacó sabia que O Bom Senhor tinha murchado os ovários dela. Na Bíblia, mulher boa cala a boca e pare filhos, e #1 não estava fazendo nada disso. Mas ela mesma tinha a solução. “Eis minha serva Bala: toma-a. Que ela dê à luz sobre os meus joelhos e assim, por ela, terei também filhos.” (Gênesis 30:3). A escrava Bala, a doce, agora seria promovida a #3 para gerar rebentos. Soa familiar ? Eu só não consigo visualizar como #3 dará à luz sobre os joelhos de #1 e como isso vai fazer com que o filho seja de #1. Pra mim, só vai dificultar o serviço do obstetra. Mas enfim, foi com esse esquema pornô-escravagista que nasceram Dã (dizem que ele aprendeu a falar o próprio nome com apenas 2 semanas de vida!) e Neftali.
Enquanto isso, observando tudo de cima, O Bom Senhor estava entediado. E, da mesma forma que uma criança mimada cutuca seus hamsters, Javé desativou os ovários de Lia, a #2. Ela já sabia o protocolo e, sem pestanejar, entregou sua escrava Zelfa para Jacó bimbar. Essa é a #4, caso você também esteja contando. E assim nasceram Gad e Aser. Javé bocejou de novo e shazam!, reativou a oogênese de #2, que pariu Issacar, Dina e, a cereja no bolo de nomes horríveis, Zabulon.
Acha que acabou? “Lembrou-se Deus de Raquel, ouviu-a e tornou-a fecunda.” (Gênesis 30:17). Mas como assim “lembrou-se”? O fidiputa não é onisciente? E todo o sofrimento de #1 foi porque Javé tinha esquecido dela? Ele perdeu a ficha dela na bagunça da escrivaninha? Sério, pelas barbas de Abraão, viu! Enfim, finalmente fecunda, #1 embuchou e pariu. E como não tinha tanto apreço por nomes estrambólicos, chamou seu rebento de José.
Trocando em miúdos, foram quatro parideiras, um exército de filhos e o Bom Senhor embaralhando as cartas ligando e desligando ovários. Como se já não estivesse claro o suficiente, essa parábola reforça o papel da mulher na Santíssima Bíblia Sagrada: uma parideira cujo valor é medido por quantos filhos ela consegue gerar. Some isso as já familiares poligamia e escravidão e você tem um livro que não só é confuso e repetitivo, mas que insiste em dar os mesmos maus exemplos. Eu não sei você, mas eu estou com dor de cabeça de acompanhar essa história. Por isso dividirei esse capítulo em dois, visto que a segunda parte tem pouca conexão com as peripécias poligâmicas de Jacózinho. Glória!





