segunda-feira, 29 de julho de 2013

Gênesis 46-47


José pede para que seu pai Jacó tome um banho, por favor.


Há quem diga que a família tem que estar perto o suficiente pra não precisar vir de mala, mas longe o suficiente pra não vir de chinelo. O superintendente do Egito, José, agora franzia a testa pensando se foi uma boa idéia convidar o seu pai Jacó e o resto da família pra morar com ele. Entre filhos, noras, genros, gatos, cachorros, chinchilas e papagaios, eram mais de setenta pessoas. Haja puxadinho pra toda essa gente.

Durante a viagem, o Povo Escolhido resolveu fazer um pit-stop em Bersabéia, pra esticar as pernas, fazer xixi e comprar aquele doce de leite em cubinhos que parece que só tem em parada de estrada. O velho Jacó, depois de horas caminhando no deserto com o sol fritando-lhe a moranga, teve uma alucinação febril. Ou, como os cristãos gostam de dizer, Deus lhe apareceu. "Jacó! Jacó!", bradou Javé numa voz trovejante e com aqueles ecos vagabundos de karaokê. "Eu sou Deus, o Deus de teu pai. Não temas descer ao Egito, porque ali farei de ti uma grande nação. Descerei contigo ao Egito, e eu mesmo te farei de novo subir de lá. José fechar-te-á os olhos"
(Gênesis 46:2-4). O bom Deus vem prometendo esse papo de “grande nação” desde os tempos de Abraão. Até agora eu só vi merda, mas vamos lá.

No Egito, José os esperava na cidade Gessém. Quando viu o velho Jacó, se jogou nos braços dele e caiu no choro. "Agora posso morrer, porque vi o teu rosto, e vives ainda!" (Gênesis 46:30). Óun, mimimi. José disse que ia avisar ao Faraó da chegada de sua numerosa e incômoda família, e que era melhor que eles arreassem as malas aqui em Gessém mesmo, “porque os egípcios têm aversão aos pastores" (Gênesis 46:34) (Olha que coincidência, eu também tenho aversão à pastores. Chega a dar coceira). Se foi uma desculpa que José inventou pra manter a família a certa distância eu não sei, mas colou.

E tão logo o povo escolhido se assentou em Gessém, uma terrível falta de pão começou a assolar o Egito. Filas e quebra-quebra nos supermercados e padarias. Não tinha pão de forma, pão de cachorro-quente, bisnaguinha nem baguete. Só uma casa do Egito tinha uma fartura de pães, bolos e biscoitos: A casa do Faraó! Ah, filhadaputa. O superintendente José havia estocado trigo e agora era tanto pão que até sobrava pra fazer rabanada. O povo esfomeado, que não tinha dinheiro para comprar o trigo do Faraó, juntou-se na porta de José para mendigar. “Dá-nos pão. Por que morreremos na tua presença por falta de dinheiro?" (Gênesis 47:15). O escroto do José apareceu na sacada, degustando lentamente uma rosca glaceada ainda quentinha. Ele olhou o populacho faminto com desdém e gritou: “Vocês estão pensando que aqui é a fila da sopa pra mendigo, porra? Onde já se viu pão de graça? Heim, bando de vagabundo?”. Que pulha. "Trazei vossos animais,” continuou “se não tendes dinheiro, e dar-vos-ei pão em troca" (Gênesis 47:16).

E assim o fizeram. José se apropriou de mulas, camelos, cabras, cavalos e até um guaxinim. E em troca o povo ganhou pão velho, já com as bordinhas fungando. Mas, ao contrário de cabras, pão não tem filhote, e logo acabou. O povo, sem o mel nem a cabaça, foi mendigar novamente na porta de José que, dessa vez, apareceu acariciando uma linda ovelhinha no colo. “O que foi agora, bando de desdentado? Acabou pão? Nhá-há!”. Ao que o povo respondeu “Compra-nos a nós e a nossas terras em troca de pão, e nós e nossas terras seremos escravos do faraó. Dá-nos sementes, para que vivamos e não morramos, e não seja desolado o nosso solo" (Gênesis 47:19).

E assim José, o herói bíblico do momento, o escolhido por Javé, o exemplo a ser seguido, escravizou todo um povo quando ele estava mais vulnerável. Pudera os cristãos serem tão bons de negócio  hoje em dia. E caso você esteja se perguntando, José não escravizou sua própria família. Essa já estava por cima da carne seca em Gessém. A Glória!

Mas nem tudo eram flores e escravos na vida de José. Seu pai Jacó estava com cento e quarenta e sete anos (parece mentira, né?) e um pé na cova. O velho chamou seu filho para o leito de morte e disse: “Se achei graça diante de teus olhos, mete, rogo-te, tua mão debaixo de minha coxa e promete-me, com toda a bondade e fidelidade, que não me enterrarás no Egito” (Gênesis 47:29). De novo esse papo de meter a mão embaixo da coxa. Que fetiche bizarro. E o último desejo do velho era não ser enterrado nessa terra de gente estrangeira. Ica! José respondeu “claro, papai”, mas pensando “porra, não dava pra pedir algo mais fácil? Tipo tocar Michel Teló no funeral… ou enterrar ele com sua guitarra favorita… sei lá”.

E foi isso. Ao que tudo indicava, era o fim do velho Jacó. Tá triste?

10 comentários:

  1. Aleluia! Ele está de volta!

    ResponderExcluir
  2. se estou triste?
    só se demorar quase um ano pra sair a próxima, hauhauha!!

    ^_^

    Esse José é 'da pá virada', não?
    sacripanta...

    ResponderExcluir
  3. Aleluia, irmãos, ele escreve novamente!

    Então, antes uma vez por ano do que uma vez por década, claro; mas será que não rola pelo menos uma vezinha por mês para o nosso deleite, não? Tenta aí, vai! ;)

    ResponderExcluir
  4. Aleluia!!! Graças a Jave a Biblia voltou... Gelada e acida como sempre... Aleluia.

    ResponderExcluir
  5. Judeus, por onde passam querem viver como parasitas e explorar o povo.
    Mais um judeu, que roubou e depois escravizou o povo para viver como um parasita.
    Hoje fazem exatamente igual com a economia mundial.

    ResponderExcluir
  6. Nenhuma notícia sobre o cu do Isaque?

    ResponderExcluir
  7. Oremos pelo próximo capítulo!!!

    ResponderExcluir
  8. Se converteu para a Universal e agora está gritando "Aleluia!" e exorcizando demônios?

    ResponderExcluir